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Telma Abrahão

“Precisamos também compreender que criar não é o mesmo que educar. E educar de forma assertiva e respeitosa é ainda mais desafiador.”

Obra: Pais que evoluem. Um novo olhar para a infância. Capítulo 8. As bases de uma educação respeitosa. Literare Books International, 2021, São Paulo. De Telma Abrahão Nesi (1977).

No trecho (p. 115), uma diferenciação importante. Penso que seja frequente a confusão entre criar e educar, talvez porque muitos pais preferem deixar a questão na superficialidade que exalta o fato de ser o provedor do lar, sendo de fato importante no sentido do atendimento a necessidades materiais que são fundamentais, diferenciando-se contudo da educação, que diz respeito ao relacionamento com base no exercício de respeito, amor, disciplina, princípios, valores, presença emocional, além da física (p. 116), não sendo responsabilidade da escola ou de terceiros.

Na visão da educadora parental Telma Abrahão, a reeducação emocional dos pais é o primeiro passo para uma educação respeitosa dos filhos (p. 115). Então menciona Adler (p. 116), referência para o tipo de educação que propõe, onde suscita as necessidades emocionais de “pertencimento” e “significância”, o que envolve o ser humano na busca de fazer parte para se sentir incluído e apreciado no meio onde vive. Para a criança, o “pertencimento” está no sentir-se positivamente conectada às pessoas que mais importam”; pais, irmãos, amigos, professores, colegas, e a “significância” se alcança quando os pais dão espaço de maneira que se sente útil e capaz (p. 117), o que exige esforços dos educadores por uma real conexão, com dedicação de tempo para atividades e brincadeiras que sejam do interesse da criança (p. 119).

Em Adler os comportamentos infantis são orientados por objetivos, sendo comumente pautados para obter o “pertencimento” e a “significância” (p. 121). A ilustração dos baldes (p. 119) me pareceu oportuna. Penso então parafraseando: quando os “baldes” do “pertencimento” e da “significância” estão vazios, a criança usa meios de forma negativa (p. 122) na tentativa de enchê-los, e assim se rebela, o que se dá por “problemas comportamentais” e “lutas por poder” (p. 117). O mau comportamento então é um sintoma de que o filho está a dizer que deseja se sentir aceito pelos pais (p. 118). A criança quando não consegue expressar seus sentimentos em forma de palavras, apresenta comportamentos inadequados por sinais de carência, gritos, choros e apego exagerado (p. 119).

Se em um adulto a carência de aceitação por pessoas próximas pode ocasionar em sérios problemas comportamentais, o que pensar de uma criança que naturalmente possui um cérebro imaturo? (p. 122). Às vezes, penso, a birra infantil se prolonga até atingir a fase adulta, passando pela delinquência juvenil até alcançar jovens com problemas de agressividade, bebidas e drogas. Um filho adulto extremamente rebelde pode ser o reflexo de uma criança que viveu com os baldes emocionais vazios.

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