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“Jesus não é teórico da utopia humana.”
Obra: Jesus e a Sociedade de seu Tempo. Capítulo 6: A comunidade de Jesus. Paulus, 2003, São Paulo. Tradução de I. F. L. Ferreira. De Juan Mateos (Espanha/Cidade autônoma de Ceuta, 1917-2003) e Fernando Camacho Acosta (Espanha/Cidade autônoma de Melilha, 1946-2018).
Para os professores Mateos e Camacho, iniciando o capítulo 6 em referência ao capítulo 2, a missão de Jesus é “abrir à humanidade a possibilidade de uma sociedade alternativa”, o “Reino de Deus”. Esta sociedade identificada com Jesus, reflete uma humanidade nova baseada na livre adesão, sem a necessidade que estejam presentes todas as condições objetivas para iniciá-la (p. 121). É de colaboração espontânea (p. 124); uma sociedade de amigos e não de servos (Jo 15,15).
Quem adere a esta comunidade dá vazão a busca do melhor de si mesmo; participar dela então proporciona ao ser humano “um horizonte pleno de sua própria realização” (p. 123), sob o mesmo Espírito em comunhão com Jesus, cuja ilustração se demonstra na figura da ligação dos ramos com a videira (Jo 15.1-4). Implica-se nesta comunhão uma unidade baseada na fidelidade que é validada por atitudes, não se limitando apenas a aspectos doutrinários a serem observados e sim na identificação da vida com amor (p. 124), mediante valores que estão encarnados em Jesus (p.123).
Uma sociedade onde a morte foi vencida. É composta por pessoas livres sob o mesmo Espírito (p. 128), cuja ilustração pode ser vista na última ceia onde todos comem recostados (Mc 14,18), à semelhança da ceia pascal judaica.
O propósito da pregação por esta sociedade alternativa visa alcançar a humanidade inteira, sem fazer uso de violência, nem de poder (p. 122), termo adotado pelos autores onde aqui penso, sem recorrer a poder político. O desenvolvimento desta sociedade se baseia na “comunicação de vida” – “o Espírito”, fator de unidade da comunidade (p. 125) a referenciar o sentido desta sociedade alternativa – vivenciada na praxe (p. 122). Para fazer parte de uma comunidade que ruma à sociedade alternativa de Jesus, é preciso realizar atos concretos de amor “às exigências que a realidade apresenta” (p. 122) para o cumprimento dos mandamentos (Jo 14, 15.21).
A comunidade de Jesus não sendo utópica, não se destina ao atendimento de interesses político-ideológicos, tampouco requer engenharia social; não pretende transformar o mundo por uma ideologia ou visão política. Qualquer apelo político então é ilegítimo, penso por esta abordagem de Mateos e Camacho, em alusão à missão segundo esta interpretação do Evangelho de Jesus.
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