Imagem: Comunità Italiana

“Il mio realismo io lo considero un atto d’amore: e la mia polemica contro l’estetismo novecentesco, intimistico e para-religioso, implica una presa di posizione politica contro la borghesia fascista e democristiana che ne è stata l’ambiente e il fondo culturale.”
Obra: Ragazzi di vita. Appendice. Il metodo di lavoro. Einaudi, 1972, Torino. De Pier Paolo Pasolini (Italia/Bologna, 1922-1975).
Realismo como ato de amor, Pasolini na essência artística.
A posição negativa e contundente contra a burguesia fascista e democrática cristã, Pasolini na essência política.
O homem intenso, cujo método de trabalho definiu como unicamente interno, “estilístico” (p. 253), que fez de Ragazzi di vitta um romance do mundo “dos subúrbios e do subproletariado romano, tal como vivenciado pelos rapazes” (p. 252).
Imaginei como seria uma caminhada com um escritor tão provocante e sereno ao mesmo tempo; eis o que senti ao apreciar esta obra, que fala sobre uma perspectiva de jovens sob o abandono, cambaleantes nas ruas, sem norte, “sem um mundo moral diferente daquele que, comparado ao nosso, é pré-histórico, ou em outro nível histórico, apesar do bombardeio ideológico extremamente intenso, do “pão e circo” da burguesia democrata-cristã e americanizante” (p. 253).
Pasolini penetra no interior de quem “não é belo, não é forte e não é saudável; é uma pessoa fraca, em suma, que vive em um mundo onde obrigatoriamente deve ser forte. Teve um momento que, mesmo levemente, pensei em Macabéa de A hora da estrela.
Sou fascinado por personagem que não tem uma grande história na perspectiva que atrai o mundo, mas tem uma história grandiosa de vida dentro de si, um universo que ninguém presta atenção em meio a dilemas, falhas de caráter e redenção, pois, per me, nada traduz mais a essência de ser humano.
Não me apetece a paixão ideológica de Pasolini, mas a arte que ele deixou é inspiradora, penso, a quem deseja viver intensamente a construção de personagens que saem do lugar comum.