Imagem: University of Zurich

Tobias Straumann

“People who voted for Hitler knew that he blamed the Jews for the misery of the nation and they approved it. But it was not the main issue that mobilized voters in such a high number.”

Obra: 1931: Debt, Crisis, and the Rise of Hitller. 4. Hitler’s Victory.  Oxford University Press, 2019. De Tobias Straumann (Suíça/Wettingen, 1966).

Nos dias surreais da pandemia, este livro ocupou lugar especial.

Hitler na trajetória ao poder em 1931 culpava os judeus pela crise econômica e social do país, os eleitores dele sabiam desse viés antissemita e o apoiavam por isso, mas não foi essa a questão principal que arregimentou um número tão expressivo de eleitores em prol do partido nazista, aponta (p. 79) o professor Straumann.

À semelhança do que aconteceu no surgimento do fascismo na Itália, a ditadura do Nacional Socialismo começou a se desenhar sob forte apoio popular e pela democracia, este último, o instrumento mais eficiente para implementação de regimes autoritários, o que é aparentemente paradoxal. O Plano Jovem voltado à economia doméstica, demandava uma visão ampla, audaciosa, para alcançar a maioria da população sob o apelo à crença da restauração da prosperidade e do poder político da Alemanha (p. 77) onde a burguesia e os marxistas ficavam no mesmo pote dos culpados (p. 78) pela situação crônica em que se encontrava a Alemanha.

Os nazistas aplicaram ferramentas avançadas de propaganda, evitavam questões da dívida pública e da austeridade mediante um eleitorado que enfrentava inflação nas alturas, desemprego e endividamento. Foram às áreas rurais onde o sentimento de descaso era ainda maior e conseguiram mais de 50% dos votos. Partiram também em busca dos que votavam pela primeira vez e conquistaram até mesmo o apoio do eleitorado feminino, até então historicamente relutante ao suporte para partidos radicais (p. 79).

Hitler angariou um capital político baseado em um perfil de eleitorado variado, o que, de certa forma, ajudou a camuflar o regime que estava arquitetando para a Alemanha: nas celebrações eram comuns famílias com suas crianças, jovens, além de estudantes, trabalhadores (p. 81), todos a formarem uma atmosfera de união patriota em torno de expectativas de uma salvação econômica (p. 81).

Não sou alinhado com a ideia de que a história se repete, tampouco com a visão linear, mas entendo que nela podem ser encontradas algumas cifras que indicam como fenômenos se desenvolvem sob certa semelhança, não raramente trazendo elementos novos ou remodelados.

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