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Karl Marx

“O sistema das necessidades é baseado inteiramente na opinião ou em toda a organização da produção?”

Obra: Miséria da Filosofia. I – Uma descoberta científica. 1. Oposição entre o valor de utilidade e o valor de troca. Mandacaru, 1990, São Paulo. Tradução de Luís M. Santos. De Karl Marx (Reino da Prússia/Renânia-Palatinado/Tréveris, 1818-1883).

De volta com o herói da minha adolescência, baluarte de minha primeira fé perdida. Revisitar suas obras é uma constante em minha vida de leitor e especialmente o fiz em 2010, após concluir algumas leituras de Mises, Hayek e Rothbard (iniciadas em 2006).

Apesar de compreender que a crítica da Escola Austríaca (EA) faz pleno sentido sobre os fatores que impedem a viabilidade econômica do socialismo, interpretado sobre a colcha de retalhos deixada por Marx, reler suas obras foi uma experiência para não ser um “austríaco” incapaz de dialogar com o que se apresenta sob uma visão de mundo tão diversa. Observei esse problema em grupos de estudiosos da EA que não se limitam a apresentar fundamentos e passam a ver o socialismo sob um viés passional e agressivo, comportamento análogo ao que vi em círculos de progressistas e socialistas que frequentei em relação a abordagens no espectro do liberalismo econômico. Creio que é preciso estar livre dessas paixões para ter maiores chances de avançar no entendimento do debate econômico.

Enquanto passei ao universo dos discordantes, entendi que compreender melhor o jeito de pensar de Marx seria uma tarefa interessante e para toda minha vida de leituras cujo trecho (p. 43) desta Leitura se tornou um ponto de referência pela pergunta, porque em meio às duras críticas que faz contra Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865), que caracteriza esta obra, Marx sinaliza traços que considerei como indispensáveis para identificar o que entende quanto ao problema da subjetividade entre agentes econômicos.

Marx argumenta que o consumidor, à semelhança do produtor, é um agente determinado pela sua situação social que depende da organização social:

“Sim, o operário que compra batatas e a amante que compra rendas, seguem, um e outro, a sua respectiva opinião. Mas a diversidade das suas opiniões explica-se pelas diferença de posição social que ocupam no mundo, a qual é produto da organização social” (p. 43).

O mercado é um centro de decisões tomadas onde aspectos comportamentais de agentes são traduzidos na quantificação de oferta e procura que realizam. Enquanto liberais e austríacos tendem a não entrar no mérito psicológico social dos agentes, Marx aponta, entendo, uma via para investigação de fatores ou “causas causantes” que implicam no comportamento de agentes e não dizem respeito aos números de mercado. Nesse momento de releitura, vejo uma ideia que não é incompatível para estudos sobre comportamento de consumo e decisões para alocação de recursos à produção na catalaxia sob a visão austríaca.

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