Imagem: Nobel Prize

Friedrich August von Hayek

“Grande parte do pior emprego que se faz do adjetivo ‘social’, que destrói por completo o significado de toda palavra que qualifica, é a expressão de uso quase universal ‘justiça social’. […]”

Obra: Os Erros Fatais do Socialismo. Por que a teoria não funciona na prática. Capítulo 7 – Nossa linguagem envenenada. “Justiça Social” e “Direitos Sociais”. Faro Editorial, 2017, São Paulo. Tradução de Eduardo Levy. De Friedrich August von Hayek (Áustria/Viena, 1899-1992).

Esta obra serve de resumo do pensamento do mais conhecido economista da Escola Austríaca. O assunto é também abordado por Hayek em Law, Legislation and Liberty (p. 160).

Lembrei-me de um colóquio universitário (2010) que se tornou marcante, onde apesentei o vídeo abaixo para finalizar minha participação sobre o tema “Será possível justiça social sem socialismo?”

A reação foi muito negativa. O conteúdo foi baseado justamente em Law, Legislation and Liberty, no capítulo sobre The mirage of social justice. Não fiquei surpreso, pois sabia que organizadores e painelistas eram quase todos politicamente engajados em partidos considerados de esquerda ou seja, estava em uma bolha ideológica de crenças intocáveis onde é impossível haver um debate relativamente sério, livre, sobre um tema cuja pergunta me fora tão provocante.

Separei os termos apresentados para abordá-los individualmente:

O que é socialismo?

O que é “justiça social”?

O raciocínio de Hayek na crítica à “justiça social” em sua proposição distributiva está baseado no conceito de ordem ampliada da cooperação humana ou catalaxia, e essa “ordem” é considerada natural no tocante a relações entre agentes humanos onde a adaptação é um elemento fundamental e é justamente nessa condição que o austríaco não vê sentido esperar que todos os processos de mudança na sociedade produtiva sejam justos ou igualitários como se espera na mentalidade socialista (p. 161).

Hayek não pensa como um formulador de “políticas públicas” que deseja intervir na sociedade determinando normas de cima para baixo para tentar ajustar suas externalidades e sim como um observador de fenômenos sociais, dentro do espectro da espontaneidade que formula regras e procedimentos de baixo para cima em uma espécie de auto regulação que excede o entendimento da mente de um planejador central. Aqui penso no problema da dispersão do conhecimento que torna o socialismo (planejamento central) inviável. Esse espectro de espontaneidade que produz uma vastidão de dados e decisões tem na desigualdade um efeito normal, inevitável; o que para socialistas é um problema a ser resolvido, para Hayek é uma necessidade de uma dinâmica cujo processo de mercado determina a recompensa (p. 162).

Explicar algo assim em um grupo fechado em um conceito dogmático de “justiça social”, que finge debater um assunto, não poderia dar em outra coisa senão em uma reação de extrema rejeição, mas o que me deixou surpreso mesmo foi o desconhecimento, de grande parte dos componentes do evento, quanto à importância de Hayek no pensamento econômico do século XX, o que não tem nada a ver em concordar ou não com seus argumentos.

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