Imagem: Luciana Amorim

Stephen Hanselman
“[…] uma das atividades mais essenciais em que um ser humano pode se envolver. […]”
Obra: Diário Estoico. 366 lições sobre sabedoria, perseverança e a arte de viver. 03 de dezembro. O filósofo como artesão da vida e da morte. Intrínseca, 2022, Rio de Janeiro. Tradução de Maria Luiza X de A. Borges. De Ryan Holiday e Stephen Hanselman.
Por Epicteto em Discursos, a filosofia e sua beleza na arte de viver.
Cita-se Henry David Thoreau, sobre a filosofia se destinar a resolução de problemas da vida, não sendo apenas teórica (p. 425). Pensei o quanto o autor que marcou minha juventude por conta de Walden, ou A vida nos bosques e A Desobediência Civil, viveu a filosofia intensamente no que Taleb define como “skin in the game”.
Recentemente um colega de TI me perguntou sobre onde desenvolvi meu método de atendimento, para ele “bem fora da caixa”, embora não faz muito tempo o definira como “um sistema tão esquisito quanto seu idealizador”. Esse “onde” não foi em uma empresa ou escritório, nem em um “case” de programação, mas sim justamente no que definiu como “coisa quase inútil” a qual “me ocupo demais neste site”: através da filosofia, um saber entre saberes que me ajudou a refletir melhor sobre o tempo de correria insana que explora a técnica da multitarefa, para promover uma ilusão degradante baseada na ideia de que somos onipresentes, nos confundindo com artefatos tecnológicos desprovidos de humanidade. Vejo hoje profissionais de TI sendo submetidos a um estresse contínuo que leva ao adoecimento em nome de um conceito distorcido de eficiência.
“Filosofar é aprender a morrer” (Cícero, citado pelos autores). Penso então o quanto estou envelhecendo ao lado de minha velha amiga que, de vez em quando, me exorta, me adverte, me provoca, enfim, mortifica e reanima o que move meu espírito. Por isso, não consigo concebê-la apenas como assunto de acadêmicos ou teóricos disso ou daquilo. O amor que tenho por ela está no sentido da vida, à mon avis, quando está investido em mim e na realidade que me cerca, no cotidiano, nos dilemas existenciais, nos dramas, nas derrotas, nos conflitos, nos dissabores, nos prazeres, nas superações, nas conquistas…
Viver se torna excitante quando é um ato filosófico. Nesse sentido, meu apreço pela literatura como “terapia” é um agir pela filosofia. Minha inclinação pela psicanálise e pela psicoterapia, idem, da mesma forma que minha forma de ver a economia, a política, a história, e por que não?, a contabilidade e diversos outros saberes mais próximos do lugar comum.
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