Imagem: Livraria da Travessa

“A prática do mindfulness demonstrou ajudar pacientes com câncer a:
- Diminuir a depressão
- Reduzir a ansiedade e o estresse
- Minimizar as dificuldades com o sono e a fadiga
- Melhorar a qualidade de vida”
Obra: : Enfrentando o câncer: habilidades da Terapia Comportamental Dialética (DBT). 2. Como tomar decisões efetivas. Benefícios do mindfulness. Artmed, 2022, Porto Alegre. Tradução de Sandra Maria Mallmann da Rosa. De Elizabeth Cohn Stunt e Marsha M . Linehan.
Uma das autoras desta obra, a psicóloga americana Marsha M. Linehan, é a desenvolvedora da Terapia Comportamental Dialética (DBT).
No contexto voltado a pacientes com diagnóstico envolvendo câncer, destaco no livro a definição de mindfulness (p. 21):
“Intencionalmente prestar atenção à realidade no momento presente sem adicionar suposições ou julgamentos não baseados em fatos.”
O mindfulness é um recurso para “usar todos os sentidos para notar a realidade”(p. 22), o que pode fazer enorme diferença para quem está diante de um grave problema de saúde e precisa se pautar na aceitação e na solução, sem sucumbir a suposições, especulações, imaginações. julgamentos precipitados e conclusões catastróficas, e aqui penso no que apontam as autoras quanto a “antecipações emocionalmente carregadas acrescentadas aos fatos” (p. 23).
A prática que vem de raízes na meditação Sati (atenção plena), integrante do Nobre Caminho Óctuplo budista, pode ser vista como um “modismo”, como se menciona no tópico onde se apontam sucintamente os seus benefícios (pp. 24-25), atrapalhando assim um bom entendimento de sua importância. Por experiência própria atesto o que afirmam as autoras acerca do que representa; o mindfulness é “fundamental” quando penso na revolução mental que estou passando em minhas visões da vida e do mundo.
Aprender a ler o próprio corpo, identificar e acolher sentimentos para superar uma resistência pessoal para lidar com problemas emocionais é um tipo de comportamento de fuga que provoca danos adicionais aumentando o sofrimento. A chave é não negar, não tentar escapar das dores, e sim acolher o sofrimento para entendê-lo melhor e assim encontrar uma forma de condução que o supere, lições em meditação as quais defino como sendo de uma simplicidade extraordinariamente sofisticada. Para experimentá-la é preciso haver um desarme de espírito, sobretudo nessa era de busca desesperada por analgésicos (e aqui tanto no sentido físico como emocional); neste mundo de muita pressa, de tanto imediatismo e cultivo de estresses desnecessários, com juízos carentes de fundamentos em coisas como realmente são e não como achamos que sejam, o mindfulness é um antídoto.
As autoras apontam (p. 24) o que se evidenciou diante de situações extremas de estresse emocional, na capacidade da “atenção plena” voltada ao controle do corpo:
- Reduzir pensamentos ruminativos
- Melhorar a tolerância à dor física
- Impactar o funcionamento imunológico
- Aumentar a empatia/compaixão
Um efeito mais evidente em minha vida na adoção do mindfulness se dá pela questão alimentar [675], mas também tem sido essencial nos resultados que venho apresentando durante o processo de volta à corrida. Na medida em que aplico a sondagem de meu corpo antes, durante e depois dos treinos para evoluir na quilometragem percorridas, percebo a dinâmica do que se desenvolve aos poucos e ajuda a evitar lesões. Recentemente foi atingida a marca de 7,6 quilômetros no percurso atual, feito em dias alternados, mediante o que aprendi a avaliar pela leitura do corpo, se estou indo além observando as reações que apresento no cotidiano, o que vai de questões musculares, passa pelas articulações, pela circulação, pela respiração e pelos órgãos vitais. Em termos sucintos, se consigo realizar bem minhas tarefas do dia-a-dia após um treino com perda de quase 900 calorias, livre de uma condição de me sentir “quebrado”, então posso considerar o próximo passo, entenda-se, aumentar a quilometragem aproximando-se de minha meta.
Durante um treino o mindfulness abre o caminho de concentração que possibilita extrair o melhor de minha mente, desviando-me de pensamentos impróprios ao momento a envolver também os automáticos, os ruminativos, deixando-me assim pronto para apreciar um momento de silêncio interior e de prazer no “aqui e agora”.
Pensamentos, preocupações, emoções, sensações em um caldeirão de desconfortos físicos e mentais são campos de trabalho para uma prática que abre os olhos para tornar possível ver uma realidade muito mais rica, profunda, relevante e poética que muitas vezes passa desapercebida. Em suma, o mindfulness é um conhecimento para desbravá-la.
675. 20/10/2026 19h47