Imagem: Prêmio Nobel

Theodor Mommsen

“[…] “e questa direzione dello spirito italico verso il comprensibile ed il reale, non è meno chiaramente manifesto anche oggi nel culto dei santi dei moderni Italiani.”  […]”

Obra: Storia di Roma.  1. Dodicesimo capitolo. 9. Caratteri del culto. Greenbook, 2020, Roma. De Christian Matthias Theodor Mommsen (Deutschland/Garding, 1817-1903).

O historiador alemão associa a dulia dos italianos modernos com uma característica do culto latino em um período anterior ao Império Romano, marcado até a queda da monarquia em Roma.

A religiosidade do itálico de vertente latina envolve o culto às divindades mediante ritos “minuciosos e insossos” que funcionam, antes de tudo, como instrumentos para obter vantagens para fins terrenos (p. 277).

O politeísmo romano era aglutinador; nutria-se de uma política, penso, inclusivista. Da mesma forma que os romanos estavam abertos a concessão de cidadania a estrangeiros, concediam abertura para o reconhecimento de culto a deuses dos que chegavam de fora (p. 259). Talvez isso possa ser concebido como um tipo de sincretismo que agrega culturas para um determinado sistema de regulação social, tendo semelhanças com o que acontece entre o catolicismo e religiosidades afrodescendentes.

No âmbito da Roma antiga pré-Império, Júpiter, Quirino, Netuno, Vulcano, Juno Marte, Minerva, Vênus eram divindades com funções protetivas específicas que se juntavam, entre outras, a compor um vasto calendário de festividades. Entre as celebrações, destaco o que era comum em uma domus – típica casa romana – consagrada a deusa Vesta e os Penati (p. 261), que eram todos os deuses adorados no lar (Penati sunto omnes dii qui domi coluntur). Representavam a unidade visível da grande família que abraçava Roma (p. 112). A crença romana os concebiam como espíritos que protegiam as reservas de alimentos da domus, especialmente a despensa.

Também penso na relação de hierarquia na cadeia de comando religioso do sistema romano atual, em comparação com os seis “construtores de pontes” ou pontefices, que estavam no topo de um modo pragmático para cuidar dos atos de culto e procedimentos diversos, cuja figura do pontifex maximus representa o superintendente geral das coisas divinas e humanas sob a ideia de um colégio de onde saiam os princípios de jurisprudência espiritual e temporal (p. 274).

Ao considerar esses elementos, penso o quanto se pode identificá-los na modernidade quanto a aspectos conservados da religiosidade romana antes, durante e depois do Império, visto que me lembrei do que me dissera uma professora romana na visita que fiz ao Museu do Vaticano em 2018 quando se referiu à Igreja Católica ser, em um certo sentido, a sucessora do Império que foi o ápice da consolidação do poder geral de Roma.

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