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“[…] Tenho visto pessoas bem moralistas agindo errado e todos os dias comprovo que a honestidade não precisa de regras.[…]“
Obra: O Míto de Sísifo. 1 O homem absurdo. Record, 2024, São Paulo. Tradução de Valerie Rumjanek. De Albert Camus (Argélia/Dréan, 1913-1960).
A frase (p. 112) soa até bem apropriada para o meu tempo em que a estética da pressa desmedida em favor da superficialidade domina a preferência das relações em detrimento do conteúdo, mas não se trata de uma abordagem sobre a moral, adverte o escritor que mais me identifico no estilo narrativo.
O homem absurdo tem uma moral pelo que se dita. Uma moral que não se separa de Deus (p. 113). O tipo que Camus descreve não nega o eterno enquanto nada faz por ele, preferindo sua coragem e seu raciocínio, no tempo que dispõe em uma liberdade com prazo determinado (p. 112). Aqui penso, seria um sujeito com traço estoico a encarnar com sobriedade e determinação a existência, sem ruminar intelectualmente pelo que não lhe está acessível e possa controlar, embora reconheça tal condição, considerando consequências com serenidade; “disposto a pagar o preço” (p. 114).
Pensei mais próximo dessa linha também como algo que até se aproxima um pouco do amor fati, acerca da menção que Camus faz à Dostoiévski pelo personagem Ivan Karamazov; “tudo é permitido”, o que “cheira a absurdo”, não sendo “um grito de libertação, e de alegria, mas de uma constatação amarga” (p. 113).
Definido comumente pelo que não representa, o homem absurdo segue podendo ser virtuoso por capricho, em uma vocação estranha aos ditames do que se é tido como apropriado quando se precisa de outra coisa, aspirando-se ao esgotamento, caminhando no estéril sob o valor da infecundidade (p. 115).
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