Imagem: Prêmio Nobel

Theodor Mommsen

“Consolidata così e cresciuta in vigoria, la nazione latina si sentì in grado non solo di mantenere da ogni parte i suoi confini, ma anche di allargarli.”

Obra: Storia di Roma.  2. 5. Quinto capitolo. 4. Espansioni di Roma. Greenbook, 2020, Roma. De Christian Matthias Theodor Mommsen (Deutschland/Garding, 1817-1903).

O trecho (p. 553) me remeteu ao princípio Lebensraum, o “espaço vital” na mentalidade expansionista da Roma antiga, sob a ideia de que para viver e respirar é necessário se expandir em termos territoriais continuamente, abordagem de outra obra de referência em minhas leituras: História de Roma [634], do historiador e jornalista italiano Indro Montanelli (1909-2001), edição em espanhol que marcou meu primeiro registro deste espaço que é um meio terapêutico [635].

Em busca de seu “espaço vital” a Roma antiga da época dos reis (p. 548) foi enfrentando povos vizinhos da península itálica em um quadro de ameaças mútuas. Roma foi invadida pelos celtas (p. 533), enfrentou os gauleses (p. 538) e a Etruria (p. 540) entre outros grupos e, compondo uma liga com os latinos e os hérnicos (p. 554), prevaleceu sobre os que tiveram um breve período de supremacia no Lazio, além de ter conquistado locais que estavam sob o controle dos sabinos, para então combater a “vigorosa e tenaz resistência dos equi e dos volsci” (p. 553). Roma passou por crises internas com os confederados (p. 556) em meio a uma estrutura que reuniu 47 localidades , das quais 30 tinha direito ao sufrágio (p. 558). O processo político que evidenciou os romanos formou uma base de poder a consolidar o Império que se expandiria de norte a sul, para atingir a costa africana do mediterrâneo até o Médio Oriente.

O Lebensraum atravessa o tempo compondo a história da insaciabilidade política. Não se trata de uma invenção romana, obviamente olhando para o que há de registros dos impérios que antecederam à sua hegemonia. É o espírito humano em seu lado obsessivo arregimentado pelo poder. Europeus o aplicaram na África, na Ásia e nas Américas, mas também foram alvos de muçulmanos que impactaram principalmente regiões onde hoje estão Portugal e Espanha. Napoleão Bonaparte fez da França um modelo expansionista. No século XX variantes de Lebensraum se deram nos três fenômenos políticos mais destrutivos da modernidade: o comunismo soviético, o fascismo italiano e o nazismo alemão.

Atualmente, penso, entre diversos poderes nessa linha, os Estados Unidos da América (EUA) e a Federação Russa – não por acaso as duas maiores potencias militares em termos de arsenal nuclear -, são os estados em que essa visão imperialista está mais evidente. Não é preciso fazer muito esforço para ver o que o narcisista inquilino da Casa Branca vem promovendo em torno de uma ideologia abjeta que apregoa os EUA como centro do mundo, pelo menos o ocidental, e pelo lado da Rússia, Vladimir Putin representa uma mentalidade cultural e política próxima à restauração da antiga União Soviética, sem o modelo socialista que quebrou a original, mediante uma ideia de oligarquia neofascista em seu lugar.

Será que a humanidade evoluirá a ponto de se libertar dessa patologia? Pouco provável enquanto multidões apoiarem tipos como Trump e Putin, além de suas versões no lado canhoto da história, sem o discernimento para identificar o que significam esses tipos antes de chegarem ao poder.

634. 26/10/2022 19h44

635. 15/01/2022 23h16. Para Uma leitura ao dia, tinha inicialmente a ideia de fazê-lo com anotações curtas, mas isso mudou na medida em que fui percebendo o quanto a atividade foi se revelando como uma forma de diário pessoal, onde os livros estavam em momentos importantes de minha vida, sobretudo em mudanças de pensamento.

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