Imagem: Rascunho

Jonathan Haidt

“[…] Quanto mais tempo uma menina passa nas redes, maiores as chances de depressão. […]”

Obra: A Geração Ansiosa. Por que as redes sociais prejudicam mais as meninas que os meninos. Indícios de que as redes sociais causam danos às meninas. Companhia das Letras, 2024, São Paulo. Tradução de Lígia Azevedo. De Jonathan Haidt (EUA/Nova Iorque, 1963).

O psicólogo social estadunidense, junto com a psicóloga Jean Twenge (EUA, 1971), reanalisou um conjunto de dados que, em outra avaliação, não encontrou evidências de malefícios no uso da redes sociais por adolescentes. O trabalho de Haidt e Twenge se voltou às meninas e apontou correlações muito maiores neste grupo em relação a transtornos mentais, quando comparado com a análise inicial de um grupo maior, incluindo meninos (p. 172).

Completando o trecho (p. 173) desta Leitura:

“Meninas que dizem passar cinco horas ou mais por dia de semana nas redes têm uma probabilidade três vezes maior de depressão que aquelas que dizem não usar redes sociais”.

Poderia haver uma correlação reversa onde a depressão levaria as meninas a usar as redes?, questiona o autor (p. 174). Por ensaio clínico randomizado, baseado em seleção aleatória para formação de dois grupos para comparação, os trabalhos do autor em conjunto com Jean Twenge e o pesquisador Zach Rausch apontaram que “o uso de redes sociais causa ansiedade, depressão e outros problemas, e não está apenas correlacionado a eles” (p. 174).

Outro ponto que destaquei quanto ao problema ser identificado entre meninas: “passam mais tempo nas redes e as plataformas a que acessam são as piores par a saúde mental” (p. 178), cujo foco reside na “comunhão”, conceito definido por “um esforço para integrar o eu em uma unidade social mais ampla, por meio do cuidado dos outros e envolve qualidades como benevolência, cooperação e empatia”, de maneira que as redes oferecerem maneiras novas e fáceis de conexão aparentando satisfazer essa necessidade, no entanto, de formas diversas acabam frustradas (p. 180). Pela necessidade de comunhão, meninas são mais afetadas pela comparação “social visual e pelo perfeccionismo” (p. 180), cuja agressão é mais relacional; atinge relacionamentos para ferir a reputação pela disseminação de boatos e conflitos entre amigas (p. 186), o que tem um impacto maior em um grupo que costuma dividir mais suas emoções e dificuldades (p. 188). Meninas também estão mais sujeitas a assédio e a predadores (p. 194).

Meninos e homens se pautam mais pela “agência”, “um esforço para individuar e expandir o eu e envolve qualidades como eficiência, competência e assertividade” (p. 179). Por meio de “fatores e forças culturais” essas diferenças diminuíram, podendo ter uma “contribuição biológica” (p. 180) por “padrões de gêneros de outros primatas” (p. 179).

Por fim, destaco que o uso de redes sociais implicou no aumento da quantidade e na diminuição da qualidade dos relacionamentos (p. 197). Na análise do especialista em educação Freddie deBoer, reproduzida pelo autor; a interação por redes sociais “satisfaz superficialmente o desejo de se conectar com outras pessoas, porém, a conexão é rasa, imaterial, pouco satisfatória. O impulso de ver outras pessoas é abafado, sem que se acesse o poder revigorante da conexão humana real” (p. 197).

Mais um livro de utilidade pública para escolas e clínicas de psicologia.

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