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“[…] lutar contra sentimentos difíceis apenas aumenta as emoções negativas. […]”
Obra: Calma. Técnicas comprovadas para acabar com a ansiedade agora. Capitulo Dois. Suas emoções. Rumo a emoções difíceis. Latitude, 2021, Cotia. Tradução de Luciane Gomide. De Jill P. Weber.
“Nossa cultura nos inunda com a ideia de que para ser feliz não podemos experimentar sofrimento ou emoções dolorosas”, afirma (p. 32) a psicóloga clínica. Então, penso, corre-se para fármacos, entretenimentos diversos, drogas lícitas (e ilícitas), entre inúmeras tentativas de esquecer problemas, evitar dor e sofrimento.
Lembrei-me de uma cena de um filme infantil, Meu malvado favorito 2, quando Gru coloca uma peruca loira e se fantasia de fada princesa na festa de Agnes. A “princesa” então diz que é a fada mais mágica de todas e que sua casa é feita de doces, e Agnes pergunta por que ela está gorda e a “princesa” responde que come a própria casa para esquecer os seus problemas. Eis uma lição básica sobre um problema de psicologia que diz respeito ao tópico deste livro.
A “armadilha chinesa” – mencionada pela autora como “algema de dedos chinesa” – é uma metáfora adotada na Terapia de Aceitação e Compromisso. Com os dedos presos nas algemas, quando se tenta puxá-los, mais apertado fica e a solução é empurrá-los em direção ao centro do tubo para ilustrar que em vez de lutar contra o sofrimento, é melhor aceitá-lo e assim procurar o entendimento de sua dinâmica para transformá-lo em fonte de superação. O desenvolvimento pessoal passa pelas dores compreendidas e usadas como meios de amadurecimento. Pensei aqui no capítulo 2 de Sem lama não há lótus, do monge Thich Nhat Hanh, acerca da sabedoria para admitir e acolher o sofrimento, em especial na ilustração de suas dores como “lixo” que ao ser melhor entendido, será transformado em “adubo, “que por sua vez, pode se transformar em muitas flores belas de compreensão, compaixão e alegria” [649].
O problema de buscar meios de evitar situações ou dores e assim driblar sentimentos desagradáveis, faz com que o medo do negativo, inerente ao ser humano, se acumule em paralelo com o desconhecimento dos próprios sentimentos, perdendo o acesso a uma fonte preciosa de dados sobre si mesmo, além de manter a carência de foco em coisas essenciais. “Nossas emoções fornecem informações e orientações valiosas. Elas nos dizem o que queremos e não queremos da vida”, aponta a autora (p. 33).
649. 17/12/2025 20h00
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