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“Escute, por que nós todos não somos como irmãos? […]”
Obra: Noites Brancas. Terceira noite. Editora 34, 2009, São Paulo. Tradução de Nivaldo dos Santos. De Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski (Império Russo/Moscou, 1821-1881).
No diálogo da terceira noite, a joveníssima Nástienka vai da ingenuidade (p. 63) na expectativa de sua aspiração amorosa com o inquilino a uma espontaneidade que desconcerta o Sonhador, de maneira que ele passa a reprimir seus sentimentos (p. 64).
Por que não somos como irmãos?
Por que se prefere aparentar ser mais duro do que realmente é?
Por que se comporta como se houvesse um temor de ofender quando se pensa em expressar sentimentos?
Por que não se fala logo o que está no coração?
As questões que Nástienka suscita ao Sonhador, direcionada de forma ampla, estão em uma gangorra da energia imatura da juventude com um ensaio em busca da saída da superficialidade que predomina nas relações em geral. Apesar dela ter afirmado que não estava se referindo ao que tem o seu coração, a atitude de desencadear suas perguntas se confluiu com suas frustrações em relação à expectativa do encontro que se revelou falho com o jovem. Nástienka o compara com o Sonhador, o que é insuficiente para nutrir algo mais profundo por ele.
O envolvimento do Sonhador para ajudá-la alimenta a admiração de Nástienka e assim o Sonhador se rege sob um sentimento maior por ela, mas ele tem consciência que é apenas de uma via, mas flerta com o ilusório em um misto de fantasia em torno da abertura que ela demonstrou para uma amizade, confundida pelo Sonhador que se permite, mesmo que por alguns momentos, a tratá-la como se fosse um amor correspondido. O Sonhador sofre em silêncio enquanto contempla nela o belo. Ao se manter fechado, entendo, Dostoiévski insere na narrativa esse marcante traço da psique do Sonhador para se conectar com o que a jovem tinha perguntado de maneira tão intensa, impactante, mesmo que sob anseio típico da juventude, e então:
“Oh! Nástienka, Nástienka! Se você soubesse em que solidão estou agora!”, diz a si mesmo como narrador (p. 65).
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