Imagem: Sextante

“Não importa quão dolorosas e avassaladoras nossas emoções sejam de vez em quando, é essencial lembrarmos que a evolução preservou nossa capacidade de senti-las por um bom motivo: […]”
Obra: Como controlar suas emoções. Capítulo um. Por que sentimos. Sextante, 2026, Rio de Janeiro. Tradução de Carolina Simmer. De Ethan Kross.
Pois as emoções “nos ajudam a interagir com o mundo” e por essa funcionalidade, agradáveis ou não, todas devem ser consideradas, explica (p. 34) o neurocientista e psicólogo americano.
O que é emoção? Uma resposta a uma experiência vivenciada ou a um evento sob expectativa do que se dá importância; é um meio de interação para se relacionar com situações e “descreve uma resposta mais ou menos coordenada que inclui o que sentimos, pensamos e vivenciamos em nosso corpo em reação a situações que julgamos ser significativas” (pp. 31-32). Neste ponto, destaco o pensamento como “parte essencial da emoção”, o que contraria o costume de não considerá-lo quando se restringe emoção a sentimento, como se fossem sinônimos (p. 33), e aqui acrescento, também quando se associa “pensamento” unicamente à “racionalidade”.
Quando estava escrevendo sobre o termo “anemoia” e abordei – para diferenciação -, experiências reais antes de apresentar o neologismo, pude identificar um exemplo de como o pensamento compõe o processo de uma experiência emocional, precisamente em relação ao que acontece quando penso nos locais que menciono na experiência de leitura [651]. Então, o que se sente, pensa e vive forma um conjunto onde a emoção funciona como se fosse uma “reação imunológica”. Trata-se de uma resposta emocional que possui elementos conscientes e inconscientes à semelhança do corpo que apresenta febre, suor, calafrios (fenômenos conscientes) enquanto correm outros processos reativos nos “bastidores” (inconscientes) na química que se dá pela ação de linfócitos T, B e anticorpos (p. 32). Por isso o autor afirma que sentimentos “são como a ‘febre’ da reação emocional, a leitura consciente do que está acontecendo nos bastidores” (p. 33).
Quando se fala em “controlar emoções”, entendo que isso significa abordar e cuidar não apenas de sentimentos, mas também, em igual nível de importância, de pensamentos pois um alimenta o outro. Pensamento estimula sentimento e vice-versa. “Cuidado com o que pensa” é um dito apropriado como ilustração e saber identificar o que é determinado pensamento, se faze parte de um bom discernimento ou não, se está bem fundamentado ou habita no universo do que se fantasia, banaliza ou distorce, é algo essencial para cuidar da inteligência emocional, a considerar também, e torno ao autor, que sentimento é um fenômeno que ocorre de forma singular ao considerar que “é impossível dois indivíduos ‘sentirem’ uma emoção da mesma maneira” (p. 33), conforme aponta o autor. Em um determinado indivíduo, sentir raiva, ira ou indignação pode desencadear um processo explosivo em termos de psique, mas em outros, não, às vezes, pode ocorrer “um vazio – um buraco no peito” (p. 34). Penso aqui também na diferença entre o sentir e o reagir no sentido de um processo de saber identificar, reconhecer, acolher e encaminhar uma emoção, algo que tenho estudado por meio do que o budismo dispõe. Ignorar o sentir, fingir que não está acontecendo, é rejeitar a possibilidade de reagir de uma maneira saudável a uma emoção. É preciso sair do automatismo e aprender a encaminhar a reação ao sentimento.
Dor, tristeza, prazer, alegria, por conta de uma emoção, seja na forma de sentimento ou de pensamento, são sinalizadores da natureza fornecendo dados para uma evolução no autoconhecimento. Quem tenta ignorar alguma emoção por julgá-la desagradável demais ou perigosa, na verdade está ignorando a si mesmo.
651. 13/09/2026 15h49
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