Imagem: Amor por Livros

Jane Austen

Nem todos – disse Elinor – têm a sua paixão por folhas mortas.

Obra: Razão e Sensibilidade. Capítulo 16. Martin Claret, 2020, São Paulo. Tradução e notas de Roberto Leal Ferreira. De Jane Austen (UK/England/Hampshire, 1775-1817).

Dos extremos do comportamento estão representados nas irmãs Dashwood e penso, o quanto às vezes prevalece o espírito sentimental de Marianne ou o racional de Elinor?

Emotiva, intensa até se tornar fulminante…. No décimo sexto capítulo Marianne vive a dor de uma paixão que parece perdida; Willougbhy, o romântico e belo que a conquistou, agora protagoniza um drama em sua partida para Londres sem dá notícias. O sentimentalismo hiperbólico em Marianne se verte em um coração partido; sua dor o torna tão pesado que não pode receber mais nenhuma tristeza cuja efusão do sofrimento se converte em melancolia (p. 92). Marianne é uma representação do espírito humano em seu viés de paixão na forma livre e profunda.

Elinor olha toda a amargura da irmã e, dentro de sua forma de ser, tenta apurar o nível do relacionamento com o que se revelara tão avassalador. Estariam noivos? – cogita em sua racionalidade para ver algum sentido naquele drama – questão que hoje está tão distante da relevância de significado de um compromisso desta natureza disposto na narrativa, quanto o tempo tão distante em que o romance foi escrito na Inglaterra (1811) em comparação com o nosso. Se Elinor racionaliza para compreender melhor o sentimento da irmã, sua mãe, sra. Dashwood, nem ousa perguntar, sabedora do quanto o emocional pesa no jeito de ser de Marianne (p. 93).

O tempo passa quando Marianne sai do isolamento auto infligido e decide tornar para uma caminhada com sua racional irmã. Em um encontro com Edward Ferrars, primeiro confundido com Willougbhy, a servir de ilustração sobre o quanto de ilusão há em Marianne, que segue a demonstrar mais uma visão nostálgica, poética, romântica de sua forma de ver o mundo quando fala dos bosques e das trilhas de Norland, cobertos por uma camada de folhas mortas, o que acaba servindo de metáfora (trecho, p. 96) para Elinor provocá-la.

Presa na extremidade dos sentimentos e das frustrações, Marianne parece incapaz de considerar que pode ter super estimado uma experiência de um afeto que então se revelou frustrado, que não se realiza e está ou pode estar morto. O caminho para a fase do “vida que segue” é radicalmente tenebroso, enquanto o espírito de Elinor o encontra com uma visão pragmática da vida ou, em suma, na forma de conceber a própria sensibilidade sem que esteja condenada a viver distante da razão.

Elinor é uma voz de serenidade na dialética que contrasta com a impulsividade de sentimentos que caracterizam Marianne que, ainda perdida com os nervos à flor da pele, cede facilmente à tendência de ver quase tudo pele lente suja de um humor desajustado que distorce a realidade, sendo assim corrigida pela irmã quando injustamente fala mal dos Midletton (p. 97).

Marianne é apaixonante e precisa de Elinor, que também precisa dela para aprender com o sentimentalismo. Razão e Sensibilidade é o romance da vida, minha e de todos que aceitam a condição humana.

3 Replies to “27/12/2025 12h36 Razão e Sensibilidade. Capítulo 16”

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