Imagem: Editora Moderna

“Mas como dizia meu sobrinho Cassiano, ‘Fantasma não existe, mas o meu medo existe!'”

Obra: Quem tem medo de quê? Ruth Rocha. Salamandra, 2012, São Paulo. De Ruth Rocha com ilustrações de Mariana Massarani.

No armário de minha esposa psicóloga sempre encontro um livro infantil, que pode servir também a muita gente grande.

Quando li sobre “medo de avião”, pensei em um professor de faculdade nos anos 1990, delegado de polícia, homem de meia-idade, de olhar firme e espirito de experimentado, que contava histórias chocantes, mas que em uma viagem que fizemos para participar de um congresso de economia, revelou seu temor extremo de voar, todo tenso bem na poltrona ao lado.

A ilustradora Mariana, quando criança, tinha medo de tubarão até em piscina…

O verso com o medo de injeção me trouxe boas recordações. Cada um com o seu medo… mas, de quê?, de onde? De quê, da agulha mesmo ou do pensamento automático e distorcido sobre a dor que pode provocar? De onde?, do objeto externo ou de algo dentro de mim, pois aquele meu medo escondia uma produção sofisticada de minha mente que, por isso, não deixava de ser real no temor que provocava.

Fantasma não existe, mas o meu medo existe!“. Sim, a dor de uma picada de injeção tende a ser quase imperceptível, e assim, em certo sentido, não existe, mas existia em grau elevado pelo medo do que significava uma agulha, engatilhado na produção de minha mente.

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