Imagem: Rascunho

Jonathan Haidt

“[…] O cyberbullying, a privação de sono e a comparação social constante estavam fora de controle.”

Obra: A Geração Ansiosa. Por que as redes sociais prejudicam mais as meninas que os meninos. 11.O que as ecolas podem fazer agora. Escolas sem smartphones. Companhia das Letras, 2024, São Paulo. Tradução de Lígia Azevedo. De Jonathan Haidt (EUA/Nova Iorque, 1963).

Junta-se ao trecho (p. 284) a mais alta taxa de suicídio entre adolescentes na região da Mountain Middle School, em Durango (EUA/Colorado), escola que proibiu os smartphones em 2012.

Os aparelhos tinham que ser guardados na mochila, nunca no bolso ou na mão. O autor informa em nota (3, p. 377) que em caso de descumprimento da norma, na primeira ocorrência o aluno recebia um aviso, na segunda havia o confisco do celular, devolvido somente aos pais, e na terceira o aluno teria que entregar o celular na entrada à diretoria e pegá-lo de volta na saída da escola.

É significativa a diferença entre proibir o uso durante a aula e proibi-lo durante toda a permanência do aluno nas dependências da escola, pois mesmo sendo rígida a fiscalização no primeiro caso, que o autor define como “inútil” (p. 285), não compensaria o trabalho adicional de tempo integral dos professores em fazê-lo, como se lecionar já não fosse a parte mais prioritária; é um trabalho que os professores devem ser poupados para se dedicarem ao mais importante.

Os efeitos iniciais da proibição:

“Os alunos não ficavam mais sentados lado a lado em silêncio, rolando a tela enquanto aguardavam o início da aula. Eles conversavam, entre si, ou com os professores”; o desempenho escolar melhorou tornando a escola a melhor do estado, amenizando três dos quatro danos fundamentais na infância em relação ao uso de celular: atenção fragmentada, privação social e vício. (p. 284). A diretora escolar Shane Voss, que promoveu a proibição, não mais presenciou o que tinha visto em escolas que permitem o uso de smartphones: “um apocalipse zumbi”, “um monte de crianças nos corredores, mas ninguém fala com ninguém” (p. 284).

Esse “apocalipse” de dispersos, distraídos, que costumo ver de forma tão banalizada em adultos incapazes de se desconectarem quando carecem da verdadeira socialização – e não a virtualmente feita em redes sociais – , fizeram-me pensar no quão poderoso deve ser o seu impacto em crianças e adolescentes. Estudos apontam que, na média, crianças de família de baixa renda têm mais tempo dedicado ao celular do que crianças ricas e brancas, a sugerir que o uso indiscriminado de smartphones aprofunda a desigualdade educacional (p. 287). O autor menciona um relatório da Unesco em 2023 a associar o uso de celular a “desempenho escolar reduzido e maior disrupção em sala de aula”, além de evidências indicadas pela National Assessment of Educational Progress quanto a quedas significativas em notas dos exames durante o período da covid, redução que começou antes mesmo da pandemia (p. 286).

A internet em si “é uma benção para a educação”, lembra o autor, inclusive quanto ao uso da “inteligência artificial” para auxiliar professores e alunos em atividades de pesquisa, além de que é importante que escolas promovam o ensino de programação para expandir habilidades (p. 287), o que suscita o tema do uso adequado e virtuoso da internet e seus recursos como qualquer ferramenta. A questão elementar nesta crítica do professor Jonathan Haidt consiste na relação custo-benefício quando aparelhos são usados para distrair alunos, afastando-os da aula e dos estudos, oferecendo a pior parte (p. 288).

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