Imagem: Thich Nhat Hanh Foundation

“Amar significa, antes de tudo, nos aceitar como realmente somos. É por isso que nessa meditação de amor, ‘conhecer a si mesmo’ é a primeira prática de amor.”
Obra: Sem lama não há lótus. Práticas para ser feliz. 5. Metta. Vozes, 2016, Petrópolis. De Thich Nhat Hanh (Vietnã/Hué, 1926-2022).
Meditação Metta, benevolência, em Pali. Contemplação profunda onde se cultiva a compreensão, o amor e a compaixão, inicialmente por si mesmo, depois pelos outros. Cuidar bem de si é pré-requisito para ajudar melhor os outros (p. 106).
O que significa aceitar como se realmente é? Começa pelo conhecimento das condições causais, possibilitando aceitar inclusive o sofrimento e a felicidade simultaneamente (p.106).
Seria esse meditar o que chamo de “amor-próprio”?, pensei durante a experiência de leitura deste capítulo. A disposição para amar a si mesmo não é meditação no amor, cujo conceito vem da adaptação de O caminho da purificação de Buddhaghosa, que sistematizou no século V os ensinamentos de Buda. Envolve uma compreensão de si mesmo, não sendo autosugestão; não se resume simplesmente a um “eu me amo, eu amo todos os seres” (pp. 106-107). Trata-se de um contemplar profundo dos cinco elementos que compõem o ser humano, segundo Buda (p. 109): do corpo, dos sentimentos, se são agradáveis ou não, das percepções, de maneira que habilite a identificar distorções (p. 110), das formações mentais, que consistem em ideias e tendências que levam a agir da maneira como se age (p. 110) e da consciência, campo onde se armazenam as sementes dos sentimentos, cujo conhecimento possibilita auto controle (p. 111), iluminação no agir, elucidação no falar, para não criar conflitos, no domínio da própria raiva antes de ajudar os outros a fazer o mesmo (p. 114); é uma aptidão para reconhecer as ações benéficas e as que trazem prejuízos (p. 113), para promover felicidade no interser, quando a felicidade que se promover ao outro nutri quem a promoveu (p. 115).
A prática da sondagem por meditação começa pelo corpo, o “território” que deve ser inspecionado “para ver se ele está em paz ou está sofrendo de alguma doença”, inspirando e expirando enquanto se visualiza o rosto, a forma de andar, de sentar e conversar, o coração, os pulmões, os rins, todos os órgãos trazidos à consciência. Depois se medita nos aspectos físicos de alguém amado, fazendo o mesmo sobre alguém que é odiado (p. 109). A leitura de si para meditar nesse amor se aperfeiçoa até uma leitura do outro.
Meditar em amor “ajudar a aprender a olhar com clareza e serenidade”, melhorando assim a maneira como se percebe (p. 110). Então, pensei, “amor próprio” aqui é um mergulho em si mesmo, na compreensão da própria natureza (p. 112); é uma chave (p. 113) para auto ajuste, após um melhor discernimento de si mesmo, não sendo uma simples crença baseada em autoafirmação, desprovida de autocrítica.
Em suma, a prática da meditação no amor que envolve os cinco elementos, os skhandas, ocasionará naturalmente na compreensão em amor para saber o que fazer e o que não fazer para cuidar de si mesmo, e dos outros, de maneira que entrará nos pensamentos, nas palavras e nas ações em uma união de corpo e espírito capaz de lidar com estados mentais negativos; raiva, aflições, medo, ansiedade (p. 107), alcançando uma vida sem apegos que obstruem o fluxo da vida (p.117), por pessoas tratadas como posses (filhos, familiares em geral) e coisas que normalmente são ostentadas (bens, prestígio, status), a resultar em uma liberdade que transcende a armadilha dos desejos prejudiciais (p. 116).
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