Imagem: RIOTUR

Augusto dos Anjos

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!

Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica…

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No molambo da língua paralítica!

Obra: A Ideia, em Eu. Coleção Literatura Brasileira: identidades em movimentos. UFFS Editora, 2023, Chapecó. De Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (Brasil/Paraíba, 1884-1914).

ιδέα – por Júlia Guerardini

Nasceu.

Poderosa dos
mistérios da vida… imaterial.

Flui pelo humanus
Sedutora…
Inquietante…
Essência que desconcerta
o destino.

Tornar-se-á ύλη?
Revolucionária?,
ou reacionária
para dar morada
nalguma ψυχή que
a reprime à partilha?

O que fazer?
Apenas contemplá-la?
Traduzi-la?
Levá-la ao λόγος?
Deixá-la no fundo
oceânico do coração?

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