Imagem: C-SPAN

Yossef Bodansky

“A primeira parte da dua de Azzam era uma longa e detalhada lista das calamidades que poderiam suceder às forças aéreas liderada pelos Estados Unidos no Golfo Pérsico […]”

Obra: Bin Laden: O Homem que Declarou Guerra à América. Capítulo 8. Novos Aliados na Guerra. Ediouro, 2001, São Paulo. Tradução de Helena Luiz. De Yossef Bodansky (Israel, 1954-2021).

A dua é uma oração-sermão voltada para instruir muçulmanos a uma causa (p. 284).

Quando li a dua de Azzam (pp. 285-286), pensei no ódio que o fanatismo político pode produzir quando se alia ao extremismo religioso.

Nesta obra, Bodansky conta como o embrião dos campos de treinamento da Al Qaeda e um jovem mujadin chamado Osama Bin Laden foram beneficiados com ajuda de dinheiro dos pagadores de impostos dos EUA, através da CIA, para o combate contra os soviéticos no Afeganistão no pano de fundo da Guerra Fria [543].

O jovem idealista Osama Bin Laden do início dos anos 1980, no final dos anos 1990 tinha consolidado uma posição de liderança no mundo extremista islâmico, agindo como expert na inspeção de campos islamitas (p. 266). O intelectual saudita constituiu um conselho de guerra em Candarah (p. 269) com comandantes de todo o mundo em prol de uma onda de terrorismo contra os Estados Unidos e seus aliados (p. 277), sendo um mentor na organização de uma rede de instituições islamitas em Londres (p. 281) e promotor de uma guerrilha ampla, no sentido de ir além do contexto do Oriente Médio, alcançando alvos americanos e aliados em qualquer parte do mundo (p. 283).

É no contexto de uma rede de terrorismo sob a influência de Osama Bin Laden, voltada contra os Estados e aliados, que a dua de Azzam foi escrita.

Quando visitei uma mesquita em 2015 em Foz do Iguaçu, conversei sobre o significado de uma dua com o senhor que me recepcionou. Quando mencionei a de Azzam, seu semblante revelou indignação. O extremismo dentro do islamismo estava tão distante daquele senhor, como ponto de referência, quanto o fundamentalismo cristão significa para mim. Foi uma conversa que me revelou serenidade e espírito de paz.

Pude conversar com outro muçulmano, foi em Paris, um taxista em 2023. Quando lhe perguntei sobre o que pensava dos ataques ao Charlie Hebdo, seu semblante de pesar me fez lembrar do senhor da mesquita. Em suma, quando o assunto é “extremismo islâmico”, todo cuidado é pouco para não cair em preconceitos com pessoas que simplesmente desejam viver em paz e não possuem qualquer identificação com o fanatismo e a violência, sobretudo em relação ao que se mistura com a política.

543. 10/03/2022 23h12

2 Replies to “12/02/2026 20h00 Bin Laden: O Homem que Declarou Guerra à América. Capítulo 8. Novos Aliados na Guerra”

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *