Imagem: Vogue

Martin Luther King Jr.

“Poderá um movimento de ação direta e não-violenta encontrar aplicação num nível internacional, a fim de confrontar problemas políticos e econômicos?”

Obra: Luther King: O Redentor Negro – Preces e Mensagens. A Não-Violência e as Mudanças Sociais. Coleção Mensagens Espirituais. Martin Claret, 2001, São Paulo. De Martin Luther King Jr. (EUA/Geórgia, 1929-1968).

O doutor King acreditava que sim (p. 96). Também esperava que o movimento da não-violência se tornasse internacional. Penso que a adaptação que fez da experiência de Gandhi na Índia, talvez tenha sido uma espécie de internacionalização, a considerar a repercussão a partir do contexto norte-americano alcançando o Nobel da Paz.

O contexto da mensagem do doutor King, além do institucionalizado regime de segregação racial e de questões sociais americanas tão ou mais complexas que as do mundo atual, estava no âmbito da Guerra Fria, sob a ameaça do que define como “co-aniquilação nuclear”, e para isso a não-violência seria um “imperativo de ação” (p. 98). Cita o que promoveu em Birminghan como exemplo de como a desobediência civil em massa pode ser uma estratégia em favor das mudanças sociais (p. 90).

Analisa a “interpretação sangrenta” (p. 93) dada aos tumultos urbanos dos últimos dois anos (p. 91) que observou e afirma que “um punhado de negros utilizou armas de fogo para intimidar, não para matar, e todos os outros manifestantes tinham um alvo diferente: a propriedade (p. 92) , que “representa a estrutura do poder branco” (p. 92). Os pretos que violaram propriedade não visavam a tomada de posse necessariamente e sim queriam dar um “aspecto simbólico” (p. 92) ao saque e uma prova disso estaria nas tentativas de devolução em telefonemas para a polícia (p. 93). Lembra o pastor que nas marchas que organizou, era rotina recolher centenas de facas entre participantes, alguns sendo membros de quadrilhas e conhecidos pela violência sob uma “disciplina pacífica” que prevalecia (p. 93).

Entendo que o doutor King concebeu o movimento em um leque onde o tema do racismo é um item dentro de um espectro que envolve o que considera como “injustiças econômicas” (p. 89). Fora um idealista, romântico, sonhador?, talvez muitos possam pensar assim.

Em um contexto de relações estadunidenses com o exterior, doutor King reconhece o “imperialismo econômico” de seu país pelo mundo o qual, defende, que seus conterrâneos devem “se penitenciar”. Em seguida sugere a aplicação de decisões políticas que se assemelham à sanção econômica para pressionar regimes autoritários e negadores de direitos fundamentais, como o apartheid na África do Sul (p. 97).

A sanção econômica, pensei, hoje é aplicada em larga escala por governos europeus e os Estados Unidos, como alternativa ao envolvimento bélico direto, e poderia ser vista como uma prática de pacifismo que o doutor King suscita, mas não passa de ilusão na real politik, visto que o envolvimento indireto em guerras de americanos e europeus é intenso no fornecimento de armas e no patrocínio de conflitos por procuração.

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