Imagem: Artmed

“[…] Para Ana foi como se toda a música estivesse arruinada, como se todo o seu desempenho tivesse sido um fiasco. […]”

Obra: Ninguém é perfeito. O recital. Artmed, 2010, Porto Alegre. Tradução de Vinícius Figueira. De Ellen Flanagan Burns.

Livros infantis têm me ajudado a pensar melhor sobre problemas de gente grande.

Obra referendada pela American Psychological Association.

Escutei inúmeras vezes e creio que seja mais clichê de que qualquer outra coisa: o espírito americano (estadunidense) é doente por competição; pensei nisso ao concluir a leitura.

A menina Ana ilustra este clichê e em sua ânsia pela excelência, no recital bastou um erro em sua participação no piano para passar por uma completa frustração autoinfligida (p. 9). Houve um tempo em que eu não me relacionava bem com minhas falhas e fui assim, como o recital da menina Ana, até que passei a compreender quão importante é apreciar erros para ter uma versão melhor de mim em cada nova experiência, livre de fazer comparações com os outros.

Ana segue tentando lidar com seu ingênuo apego a uma perfeição que a impede de compreender como vale a pena participar de algo onde o que menos importa é estar em evidência, em ser a maior referência, e então o que vê é apenas a falta de graça ao saber que não poderá fazer o papel principal na peça de teatro (p. 15). Aqui penso, não será difícil encontrar crianças crescidas, muitas delas comandando grandes empresas e instituições, que não aceitam nada abaixo do que lhes reserve a coroa, o maior destaque, de maneira que permanecem presas a um culto de si mesmas que neutraliza qualquer sentimento para a nobreza do sentido coletivo.

No entanto, aos poucos, na medida em que se confronta com os exemplos da vida, Ana tem uma importante conversa a mãe dela e descobre que não precisa ser a melhor nas coisas que faz para agradar os seus pais (p. 46). O final da história de Ana com a perfeição e o ego assim se desvia maravilhosamente do que acontece com as tais crianças crescidas desse nosso mundo tão neurótico por competição e autoafirmação no espectro do “espírito americano”. Ana contrastou suas ideias de perfeição, sua vontade pelo protagonismo e sua extrema competitividade, e foi agraciada com uma sabedoria humilde que lhe permitiu a uma singeleza de saborear a felicidade de ser o que é, onde ser a melhor ou ser o centro das atenções passa a ser visto apenas como um detalhe diante da maior importância em aprender e saber se divertir, enquanto basta apenas dar o melhor de si (p. 50).

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