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[…] I propose in this work to study Marxism from a point of view similar to that which Thomas Mann adopted in Doktor Faustus
vis-à-vis Nazism and its relation to German culture. Thomas Mann was entitled to say that Nazism had nothing to do with German
culture or was a gross denial and travesty of it.[…]”
Obra: Main Currents of Marxism. Introduction. Clrendon Press, 1978, Oxford. Traduzido do polonês por T. S. Falla. De Leszek Kołakowski (Polônia/Radom, 1927-2009).
Se eu não tivesse deixado uma rudimentar bolha libertária, certamente não teria me interessado tanto pelo pensamento de Kołakowski, talvez o mais importante crítico do marxismo no século XX, intelectual que percorreu um caminho de descrença do marxismo.
Ludwig von Mises tinha me impactado com a questão do “cálculo econômico” no socialismo, lá pelos idos de 2007 [652], mas notei que se alinhar com um grupo ideológico tão inusitado à época, resultaria em uma limitação subliminarmente imposta em torno do que se prioriza dos principais autores apreciados na bolha (Mises, Hayek e Rothbard), não dando espaço mínimo – em meu entendimento -, para estudar, de forma desarmada, obras no contraditório. É evidente que há grupos de estudos, mesmo sob uma visão ideológica bem definida, onde há esse desarme, mas no meu caso se tratava de um movimento que se tornou avesso a esse propósito, hoje entendo, pelo deslumbramento político com ideias liberais e libertárias que emergiram, mesmo que de forma bruta, do caldeirão de protestos no Brasil em 2013 (Jornadas de Junho).
Foi através do filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, quando tive oportunidade de assistir às suas sulas no Curso Online de Filosofia (COF), que fui estimulado a estudar Main Currents of Marxism, obra mais conhecida em três volumes, e que terá diversos registros neste espaço. Na primeira experiência de leitura conheci uma abordagem diferente sobre a mentalidade revolucionária a partir de uma teoria de sua evolução.
No trecho (p. 4), um primeiro destaque acerca da linha de pensamento do polonês quanto ao que considera sobre historiadores das ideias se situarem fora da ideologia, mas que isso não significa ficar fora da cultura em que se vive, pois a história das ideias — e, em particular, daquelas que foram e continuam sendo as mais influentes — em um certo sentido é um exercício de autocrítica cultural. Então, o autor propõe “estudar o marxismo sob uma perspectiva semelhante àquela que Thomas Mann adotou em Doutor Fausto, em relação ao nazismo e à sua conexão com a cultura alemã”. Para Kołakowski, Thomas Mann “poderia ter dito que o nazismo nada tinha a ver com a cultura alemã, ou que representava uma negação rudimentar e uma caricatura desta, porém não foi isso que ele disse; em vez disso, investigou como fenômenos como o movimento hitlerista e a ideologia nazista puderam surgir na Alemanha e quais elementos da cultura alemã tornaram isso possível”.
Kolakowski, em suma inicia sua odisseia de análise do marxismo considerando uma crítica franca à cultura da qual se fazia parte e que contribuía de forma criativa, inspirado no que Mann pensou na relação do nazismo sob a influência da cultura alemã. Por fim, lembrei-me aqui, e por analogia o fiz no binômio Hitler-Alemanha dos anos 1930, da leitura que faz o analista geopolítico italiano Dario Fabbri acerca do que afirma sobre o atual fenômeno na política russa: “Não foi Putin quem criou a Rússia, mas foi a Rússia que criou Putin“, em Non chiamatela Guerra di Putin [653].
652. 10/05/2022 22h20
653. 12/11/2022 23h32
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