Imagem: Biblioteca de São Paulo

“[…] não só não se acostumava com essa fato como também simplesmente não o então nem conseguia aceitá-lo.”
Obra: A Morte de Ivan Ilitch. 6. Principis, 2023, Jandira. Tradução de Robson Ortlibas. De Lev Nikolaevitch Tolstoi (Rússia/Yasnaya Polyana, 1828-1910).
E quem está preparado para lidar com e eminência da própria morte?, escutei algumas vezes.
Ivan Ilitch inaugura a fase inicial, da perspectiva de que está chegando ao fim. Este romance galga por um drama sobre a desilusão acerca do que estava (na verdade parecia estar) “sob controle” até se esvaziar da própria ideia da morte [652]. Ivan Ilitch e sua família estavam “bem”, “sem mudanças, e com a vida fluindo agradavelmente” (p. 40). Ele representa um momento da existência que muitos não conseguem deixar: em torno da segurança ,acerca da vida que se resume a falar sobre si como se fora um compêndio conquistas e dores aparentemente superadas.
No meio evangélico, onde passei parte de minha vida, Ivan Ilitch está para o sujeito “abençoado” que testemunha o que acredita ser a “presença de Deus” em sua vida, e ele dá testemunho não para engrandecer seu deus, mas para louvar a si mesmo enquanto é é indiferente com os que julga menos prestigiosos em seu espectro. É um tipo ateu praticante disfarçado de crente que se desmonta diante de uma grande perda, não necessariamente a morte.
No meio ateísta o personagem de Tolstoi, neste estágio debutante sobre o próprio “fim”, reflete o tipo que também se esfarela quando se descobre diante do que tanto acreditou (e pregou como um crente) durante a vida: a morte, o fim de tudo.
652. 24/05/2026 10h00