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“La virata a sinistra del duce, in realtà, era comunciata molto prima della sua caduta e affondava le radicinei tempi deu suoi esordi in politica. […]”.
Obra: Mussolini, Il Primo Fascista. Roma, 25 Iuglio 1943. La caduta. Carocci editore, 2018, Roma. De Hans Woller (Alemanha/Aldersbach, 1952).
Lembrei-me de um economista liberal que esteve no governo de Bolsonaro (2019-2022) e afirmava com convicção que o fascismo foi de esquerda.
O fascismo, penso, foi um fenômeno de extrema-direita fundado por um ex-líder do Partido Socialista Italiano (PSI).
Torno à obra de Hans Woller onde o então socialista Benito Mussolini saiu do PSI como desertor ao confrontar publica e ideologicamente seus colegas de partido em jornais “inimigos da classe” em meio a divergências em torno do nacionalismo no contexto da Primeira Guerra e de outras questões em uma conduta “imperdoável”, uma infração “inusitada” às regras do socialismo (p. 47), aponta o historiador alemão.
Além das raízes socialistas de Mussolini, penso que, certamente, o fato discorrido no trecho (p. 210) quanto à guinada do duce ao estilo socialista, no processo que culminou na queda de seu regime, é outro fato super dimensionado para favorecer narrativas do fascismo sendo de esquerda. O autor menciona o Mussolini debutando na política como o “socialista totalitário” (Reggio Emilia, 1912) que “estava sempre vivo nos subterrâneos de sua mente”, para compreensão da mudança com requintes revolucionários ocorrida no final de seu governo. Entendo que Mussolini voltou às suas raízes por desespero ao perceber que a guerra parecia começar a virar contra o Eixo, enquanto seu grande aliado nazista dava sinais de aperto e assim não poderia suportá-lo como antes. Eis o que entendo sobre o ditador italiano ter escolhido magnatas da Itália, como alvos no velho apelo da “luta de classes”, alegando que “abusaram de sua confiança” (p. 210).
A volta de Mussolini contra os antigos inimigos da classe trabalhadora, na perspectiva socialista-marxista, deu-se em uma crise interna na Itália onde o ditador fascista julgou insuficiente o apoio dos grande industriais (p. 211). Fascismo e nazismo são regimes muito próximos no sentido de submeter o empresariado ao jugo do poder central, e se esse propósito não for considerado satisfatório, a ofensiva contra os empreendedores de maior relevância será inevitável.
Enquanto procurava identificar internamente os “traidores”, e apegava-se à esquerda do partido, Mussolini amargava derrotas, entre elas a impressionante massa de 250 mil homens ítalo-germânicos que terminaram como prisioneiros de guerra na Tunísia; o “mito” do grande líder estava sendo desfeito na Itália com os abalos no âmbito militar (p. 212). O desembarque dos Aliados na Sicília foi outro fato que estremeceu o regime fascista (p. 214); Mussolini estava acuado, sob desconfiança, inclusive de operários que questionavam sobre o porquê de somente agora decidir confrontar os empresários (p. 215). Internamente, a crise no Partido Fascista estava cada vez mais intensa, com líderes que não se entendiam mais em uma sociedade cansada da guerra (p. 216). Fascistas moderados concordavam com uma medida que salvasse o que fosse possível para ficarem no poder (p. 218), e isso envolvia a saída de Mussolini do Executivo. O rei Vitorio Emanuelle III então notou as condições para destituí-lo e o fez (p. 220).
O ditador saiu do Palazzo Venezia protegido pela polícia em uma viatura. Era 25 de julho de 1943, o dia em que o seu regime chegava ao fim.
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