Imagem: Nobel Prize

Friedrich August von Hayek

“[…] A evolução cultural não é determinada nem pela genética nem por nenhum outro fator, e seus resultados são a diversidade, não a uniformidade. […]”

Obra: Os Erros Fatais do Socialismo. Por que a teoria não funciona na prática. Capítulo I – Entre o instinto e a razão. O mecanismo da evolução cultural não é darwiniano. Faro Editorial, 2017, São Paulo. Tradução de Eduardo Levy. De Friedrich August von Hayek (Áustria/Viena, 1899-1992).

“Tenho a maior admiração por Charles Darwin”, responsável por uma das “grandes conquistas intelectuais dos tempos modernos” (p. 40), afirma (p. 36) Hayek – e prossegue – mas usar a teoria da evolução biológica para explicar o processo evolutivo cultural é um equívoco, completa o Prêmio Nobel de Economia de 1974.

Sobre a vinculação da evolução biológica com a evolução cultural, Hayek aponta como causa o que entende como um mal-entendido entre “dois processos completamente diferentes que os biólogos distinguem como ontogenéticos e filogenéticos” (p. 39); o primeiro relacionado com o desenvolvimento predeterminado de indivíduos, e o segundo com a história evolutiva da espécie (p. 39).Logo em seguida menciona que biólogos, bem ambientados nos conceitos, não fazem essa confusão. Em seguida menciona Karl Popper, importante pensador fora dessa alçada que refutou o que o economista austríaco chama de “crenças ‘historicistas'” entre “estudiosos de temas estranhos à biologia” que desenvolveram teorias baseadas no conceito de que a ontogênese funciona da mesma forma que a filogênese.

Difundida muito antes do desenvolvimento de Darwin, Hayek aponta que a ideia de evolução na cultura precedeu e deu inspiração para ser aplicada na biologia (p. 36) e, relacionado ao trecho (p. 39) desta Leitura, volta-se aos filósofos Karl Marx e Augusto Conte que formularam teorias sob o conceito de que leis evolutivas podem prever desenvolvimentos futuros, porém, contrapõe o austríaco, há “circunstâncias contingentes” que não podem ser antecipadas (p. 38), além da adaptação contínua a eventos imprevisíveis, o que seria na visão do austríaco uma “presunção fatal” que compromete o darwinismo social e a ideia que se desdobra acerca de que o ser humano pode moldar o mundo à sua volta de acordo com seus desejos (p. 40).

Segue o austríaco a argumentar que pelo aprendizado, a difusão das propriedades culturais é “incomparavelmente mais rápida que a evolução biológica”; mediante transmissão de hábitos e informações que vão muito além dos pais biológicos e envolvem um número indefinido de “ancestrais”, embora ambas as teorias sejam de processos contínuos de adaptação (p. 38), enquanto “análogas em alguns aspectos importantes” (p. 37), Hayek, entre diversas referências, menciona Huxley a indicar que a evolução biológica, com sua própria dinâmica, possui leis específicas e não pode ser base para explicar a de natureza cultural, assim como lembra Bertrand Russel ao argumentar que “se a ética evolutiva fosse válida, nos teríamos de ser totalmente indiferentes a que poderia ser o curso da evolução, uma vez que qualquer que fosse se provaria, como resultado de ter sido, o melhor” (p. 41).

2 Replies to “12/12/2025 20h00 Os Erros Fatais do Socialismo. O mecanismo da evolução cultural não é darwiniano”

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