Imagem: Chiesa di Milano

San Francesco d’Assisi

[…]

Laudato sie, Misignore, cum tucte le tue creature
spetialmente messer lo frate sole
lo quale iorno et allumini noi per loi
Et ellu e bellu e radiante cum grande splendore
de te, Altissimo, porta significatione.

Laudato si’, Misignore, per sora luna e le stelle in celu lai formate clarite et pretiose et belle.

Laudato si’, Misignore, per frate vento et per aere et nubilo et sereno et onne tempo,
per lo quale a le tue creature dai sustentamento.

[…]

Obra: San Francesco D’Assisi nella storia – nella leggenda – nell’arte. Capitolo XIV. Il poeta. Casa Editrice S. Lega Eucaristica. 1921, Milano. De P. Vittorino Facchinetti, O. F. M.

Assisi, dezembro, 2018 – Uma manhã fria, o termômetro apontava oito graus, com um lindo céu azul, praticamente sem nuvens, na silenciosa fila para o ingresso à Basílica comecei a sentir a intensidade da atmosfera de Assis.

Sentia-me realizado: estava na Collis Inferni, assim chamada no medioevo e pensava no que dissera um frade para um grupo de turistas durante o início do percurso da Portella Sancti Francisci à escadaria:

Attraverso la natura, il Signore ci parla ogni giorno.

Às vezes pareço “aéreo” em público. Normalmente assim estou pensando de forma, digamos, mais intensa, profunda. Não me importo se acham que sou estranho, mas ouvir aquela frase naquele lugar? não tinha como… Vieram-me então imagens de Fratello sole, sorella luna (1972), épico de Franco Zeffirelli, depois um flash de uma aula de Alessandro Barbero onde escutei que São Francisco é o católico mais amado fora do catolicismo romano, o que me remeteu a lembranças do período em que ficava na biblioteca do seminário estudando a vida do santo.

Francisco de Assis e Agostinho de Hpona

Francisco de Assis, ao lado de Agostinho de Hipona, foram os dois vultos da fé que me reaproximaram do catolicismo.

Agostinho se deu pela sua história de conversão em Milano, a qual me identifiquei, bem como a reflexão com seu filho Adeodato sobre Cristo como “verdade que ensina interiormente” [548], o que compartilhei em uma conversa com um padre em 2004 [549], quando comecei a perceber que algo estranho estava acontecendo comigo quando entrava em igrejas romanas no centro do Recife, como se estivesse em uma espécie de refúgio, não raramente a caminho do seminário batista.

Francisco de Assis me impactou porque me mostrou uma experiência de fé através da ordem natural, o que inclui a relação do ser humano, integrante dessa ordem, com toda a criação. O trecho do hino (p. 441) é um destaque da época do seminário, onde percebi que o pensamento de Francisco de Assis se consolidou como uma poderosa síntese cristocêntrica de integração da humanidade com a natureza. Foi quando pensei: se no meio religioso que frequento muitas vezes se busca adorar a Deus a partir de narrativas acerca do sobrenatural, em Francisco de Assis o louvor envolve o que Deus concede e manifesta através do mundo natural em uma fraternidade cósmica. Pensei: talvez se trate da primeira teologia ecológica, cerca de 800 anos antes do tema virar moda.

Dentro da Basílica, na medida em que me aproximava da tumba, entre um e outro “Silenzio!” pronunciado por um dos frades que chamavam a atenção de visitantes que faziam barulho, já não tinha mais como explicar o que sentia diante da tumba, indo muito além do que posso chamar de “forte emoção”. Na saída, olhei os afrescos, sentei um pouco para respirar com a vista para um gramado onde então retomei minhas memórias da biblioteca onde pensei sobre o que Francisco de Assis me ensinou de mais importante: a raça humana ofende profundamente o Criador (p. 441) quando não cuida da natureza a qual faz parte, quando nega o amor ao próximo e às criaturas do Senhor com as quais interage.

Então… “Através da natureza, o Senhor nos fala todos os dias”, pensei no que ouvira do frade no início da visita à cidade.

Francisco de Assis foi um poeta da fé que deixou o legado de que todos estamos na mesma ordem natural, na mesma casa concedida por Deus e quando olha para os céus, nos envolve com o universo pelo qual somos todos irmãos.

548. 23/01/2022 00h28

549. 18/10/2024 22h05

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