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Jacques Derrida 

“[…] A diferença é o que faz com que o movimento da significação não seja possível a não ser que cada elemento dito “presente”, que aparece sobre a cena da presença, se relacione com outra coisa que não ele mesmo, guardando em si a marca do elemento passado e deixando-se já moldar pela marca da sua relação com o elemento futuro. […]”

Obra: Margens da filosofia. A diferença. Papirus, 1991, Campinas. Tradução de Joaquim Torres Costa e Antônio M. Magalhães. De Jacques Derrida (Argélia/El Biar, 1930-2004).

Nada mais perturbador para a interação entre exemplares da nossa espécie.

Outrossim, na ilusão de sua compreensão, não é raro observar a negação de todos os fatores que Derrida aponta nesta síntese. Uma pedra de tropeço tão improvável de ser bem discernida quanto as diferenças que o filósofo discorre entre duas letras (pp. 33-36) face ao que “não é, não existe, não é um ente-presente (on), qualquer que ele seja” (p. 37), de maneira que se acentua o que não é, “isto é, tudo; e que, portanto, sem existência nem essência” (p. 37).

“A diferença é não apenas irredutível a toda a reapropriação ontológica ou teológica onto-teologia -, como, abrindo inclusivamente o espaço no qual a onto-teologia – a filosofia – produz o seu sistema e a sua história, a compreende, a inscreve e a excede sem retorno” (p. 37).

De duas letras a extremos, não apenas dois, mas em 2017 foram cinco mundos dentro de uma sala em uma experiência para depurar as diferenças. Um comunista, um social-democrata, um lulista, um bolsonarista e um austrolibertário. Fui um deles… Por um instante todos estavam no mesmo barco da ignorância em forma de perdição cognitiva mediante este texto de Derrida, pois lhes pareceu um código de outro mundo, indecifrável a começar da diferença entre diferença e diferança (p. 39).

“Numa conceitualidade clássica e respondendo a exigências clássicas, diríamos que “diferança” designa a causalidade constituinte, produtora e originária, o processo de cisão e de divisão do qual os diferentes ou as diferenças seriam os produtos ou os efeitos constituídos” (p. 39).

Quase nada sobrou de consistente naquele exercício aparentemente sem sentido sobre o que definiram de si mesmos a partir do instante em que compreenderam a diferança, convidados ao expurgo de apelos emocionais e doutrinários, talvez porque “tudo no traçado da diferença é estratégico е aventuroso” (p. 37).

Certamente este traçado um tanto obtuso e intrigante é aproveitado no exercício do poder para agregar pela confusão que habita na mente de alinhados e apoiadores, quiçá pelo questionamento do “caráter secundário e provisório do signo” que pode acarretar nos dois problemas apontados por Derrida (p. 41): a impossibilidade de compreender “a diferança debaixo do conceito de ‘signo'” e a inserção de um questionamento “da autoridade da presença ou do seu simples contrário simétrico, a ausência ou a falta”.

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