Imagem: Mises Institute

“Americans need to oppose and destroy the “imperial presidency” because of what it has already done and will do to our country and to our individual freedom. The first step toward that goal is to recognize Presidents Lincoln and Roosevelt for what they really were: American Caesars.”
Obra: A Century of War. 5. Lincoln and a Roosevelt: American Ceasars. Reclaiming the Dream of Our Founders. Mises Institute, 2006, Auburn. De John V. Denson.
A associação do termo “imperialismo” aos Estados Unidos representa uma expressão típica da terminologia dita de “esquerda” dita “comunista”, no entanto, este livro, endossado pelo Instituto Mises, organização que não é nem um pouco de linha esquerdista, situando-se em uma ideologia que, entre progressistas pode ser concebida como de “extrema-direita” (o que não é nem um pouco preciso) atua pela defesa da liberdade e da economia de mercado em um escopo íntimo do pensamento econômico clássico, fato que demonstra que o problema da mentalidade imperialista, que caracteriza a atuação estadunidense no mundo, não deixa de ser importante enquanto analisado além do ambiente antiamericano com bandeira socialista.
Neste capítulo sobre Lincoln e Roosevelt, o advogado e professor no Instituto Mises conclui com um apelo que me parece bem oportuno no tempo presente aos americanos: “Precisam se opor e destruir a ‘presidência imperial’ por causa do que ela já fez e fará ao nosso país e à nossa liberdade individual. O primeiro passo para alcançar esse objetivo é reconhecer os presidentes Lincoln e Roosevelt pelo que eles realmente foram: Césares americanos” (p. 180).
O professor Denson abre o assunto traçando um paralelo entre Lincoln e Rooselvelt. O primeiro com “sua traição ao induzir o ‘inimigo’ do Sul a disparar o primeiro tiro contra Fort Sumter, resultando na Guerra Civil”, e o segundo com a manipulação similar que “causou o ataque a Pearl Harbor e a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial” (p. 173). Explica o professor que “em ambos os casos, os presidentes se recusaram a negociar de boa-fé. Lincoln enviou declarações completamente falsas e contraditórias aos Confederados e ao Congresso; recusou conversas com os comissários Confederados. Roosevelt também se recusou a conversar com o primeiro-ministro japonês Konoye, uma recusa que derrubou o governo moderado e pacifista de Konoye e causou a ascensão do regime militarista de Tojo. Tanto Lincoln quanto Roosevelt mentiram repetidamente ao povo americano e ao Congresso sobre o que estavam fazendo enquanto provocavam secretamente o ‘inimigo’ a disparar o primeiro tiro em suas respectivas guerras” (p. 175).
Os dois “césares americanos”, na visão do professor, teriam agido sob forte influência corporativista econômica ao beneficiar agentes da iniciativa privada que desejavam a guerra civil e ele declarasse guerra para “impedir que o Sul estabelecesse uma zona de livre comércio com uma tarifa baixa. Eles queriam que Lincoln protegesse seus interesses especiais, mantendo a tarifa alta, enquanto ainda forçava o Sul a permanecer na União para pagar o imposto” Aqui o professor discorre sobre o problema do “capitalismo de laços ou de compadrio” que, segundo pensa, é “a essência do fascismo e a causa de muitas guerras” (p. 177).
Já no caso de Roosevelt, teria sido “muito influenciado, até mesmo controlado em alguns momentos, pelo establishment anglo-americano, composto por proeminentes empresários e banqueiros que possuíam ou representavam grandes interesses econômicos, tanto nacionais quanto globais que tinha o interesse de formar uma parceria com o governo para proteger seus negócios privados e interesses econômicos, para se protegerem de formidáveis concorrentes industriais e comerciais como a Alemanha e o Japão” (p. 177). Penso, neste ponto, que se por um lado há uma associação indecorosa entre Estado e agentes privados no lado americano, o mesmo não acontece com as “formidáveis concorrentes” alemã e nipônica à época?
Penso que há uma certa romantização da liberdade em relação aos pais fundadores e ao próprio significado do país diante do cenário internacional. Também percebi que a abordagem do professor se volta aos efeitos que a beligerância imperialista provoca internamente no país, na liberdade dos americanos, contudo, não deixa de ser interessante face ao tema do imperialismo. Neste aspecto, Denson cita Arthur M. Schlesinger Jr., acerca da defesa do historiador em favor das decisões tomadas pelos dois presidentes, as quais interpreta como manipuladoras, que levaram os Estados Unidos a dois grandes conflitos resultando em severas restrições constitucionais que afetaram a liberdade dos cidadãos (p. 174).
Sobre a crítica que o professor faz especialmente da aliança de Roosevelt com Stalin para derrotar Hitler (p. 176), entendo que é uma questão muito complexa e encerro para meditação:
Seria o mundo do século XX menos perverso com uma neutralidade americana e uma vitória nazista, inclusive erradicando o stalinismo?
Comentário