Imagem: Livraria Victor Sales Pinheiro

“[…] não adianta esperar o paraíso terrestre, pois ele não vai acontecer. O melhor que você consegue aqui é instaurar um mínimo de ordem na sua alma. […]”
Obra: Virtudes no cotidiano. Capítulo 4. Ordem. Ordem interior. Auster, 2022, Campinas. De Victor Sales Pinheiro.
Em um sentido mais amplo, o autor cita Ética a Nicômaco (p. 104), de Aristóteles. Nos meus 23/24/25 anos o meu mentor e, posteriormente, o meu psi ambos recorreram à ἐπιμέλεια σαυτοῦ (epimeleia sautou) cuja primeira menção foi relacionada com Sócrates.
É hora de deixar de falar apenas sobre filosofia. Que tal aplicá-la em benefício próprio, vivenciando-a, colocando em ordem a sua “casa”, o seu “interior”?, fora basicamente a exortação que me trouxe de volta ao enfrentamento da vida. Foi preciso me desligar de muitas coisas para que eu entendesse o que é cuidar da ψυχή (psiché), da “alma” em termos de fé cristã. Fui provocado a usar o instrumental da razão, direcionando-o à busca do autoconhecimento, da interpretação consistente dos estímulos, transformados erroneamente em gatilhos, e da identificação de futilidades e distorções cognitivas. O meu psi também adotou uma versão bíblica do “cuida de ti mesmo” – dada sua formação teológica familiarizada à minha fé cristã – ao interpretar com elementos de um contexto psicológico, a pastoral de São Paulo ao jovem Timóteo (I Tm 4:16).
Quando me dei conta do que o autor se refere neste livro ao “princípio da entropia ou da desordem” (p. 105) aplicável ao mundo terreno que eu precisava compreender, quando fiquei livre da ilusão de tê-lo como um paraíso, o “cuida de ti mesmo” ganhou um sentido ainda mais impactante no propósito de sempre estar atento à minha ordem interior refletida no meio externo (p. 107); assim comecei a perceber o quanto é insignificante ficar preocupado com o que os outros pensam de mim se eu sequer não tenho mínimo conhecimento sobre quem sou, tampouco posso lidar adequadamente com problemas de minha ordem interior. Em suma, o amadurecimento se tornaria possível pelo gradual autoconhecimento (p. 106).
Outro elemento surgiu naturalmente e se relacionou com o que é citado pelo autor sobre o que fora sintetizado na quarta regra de Jordan Peterson (p. 105): entendi o quanto perdi de tempo e energia ao comparar minhas condições com as de outrem, em vez de procurar me desenvolver pessoalmente para tomar consciência do quanto eventualmente melhorei em comparação com o que fui e não mais com o que outras pessoas são.
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