Imagem: Diocese de Taubaté

“[…] Há tempos eu encontrei no budismo uma filosofia que me ajuda a viver. Ei me identifiquei justamente por não ter a estrutura dogmática. […]”
Obra: A hora da essência. M Planeta, 2021, São Paulo. De Fábio José de Melo Silva (Brasil/Minas Gerais/Formiga, 1971).
A hora da essência trata sobre um longo diálogo franco, profundo, existencial, entre Ana, uma enfermeira de um hospital, e uma paciente com câncer em estado terminal.
Há inúmeros destaques em minhas experiências de leitura quanto a esta obra, e o trecho (p. 105) envolve o que atualmente estou vivendo há algum tempo em relação ao budismo, filosofia que tem me ajudado muito nos últimos anos em termos de saúde mental e física, enquanto não vejo sentido em deixar a fé cristã, que segue cada vez mais voltada ao berço, o catolicismo.
Este registro da obra está entre anotações que fiz durante o segundo ano da pandemia (2021). A primeira se deu pelo pastor Abdoral em relação à abertura Morrer requer liturgia [657], e neste καιρός vou revisitá-las para registro, uma por mês
Esta anotação me veio em mente enquanto conversava hoje com a minha esposa durante nossa caminhada e corrida, quando lhe falei sobre o que penso acerca do budismo, da importância que entendo dos trabalhos do padre Fabio de Melo no sentido de apresentar reflexões cristãs que, entendo, são desarmadas e inspiradoras, e o que significam para mim o Evangelho de Cristo e o cristianismo, à mon avis, duas coisas distintas.
Sofia conta a Ana que nasceu cristã, mas do cristianismo só lhe restou a admiração por Jesus, pois se desencantou com as instituições religiosas (p. 105). Por esse desencanto passei em 2007, no último ano do seminário teológico, mas a diferenciação que formei em minha mentalidade à época, entre “fé em Cristo” e “instituição/igreja”, ajudou-me a conservar o essencial, o contínuo interesse pela espiritualidade voltada aos ditos de Jesus, sobretudo os do Sermão da Montanha. Então me desliguei do que fora apenas institucional, do que realmente não importava e, concomitantemente, percebi que, pelo menos desde 2003, paradoxal e lentamente estava mudando de direção, indo ao catolicismo na medida em que me aprofundava nos estudos teológicos e no que pude assimilar de história do cristianismo, o que me pareceu mais evidente em maio de 2007 [658] em uma conversa um tanto tensa que tive com uma missionária batista.
Torno a Sofia que então fala sobre o que encontrou no budismo, ponto em que mais me identifiquei com a personagem.
657. 12/09/2023 22h29
658. 01/01/2026 11h08