Imagem: Planeta de Livros

“[…] é, acima de tudo, o resultado do que achamos de nós mesmas.”
Obra: Síndrome da Impostora. Despindo-se do disfarce. Basta. Planeta, 2020, São Paulo. De Rafaella Sanchotene Brites Andreoli (Brasil/Rio Grande do Sul/Porto Alegre, 1986).
A influenciadora que fez especialização em Programação Neurolinguística (PNL), lembra que pesquisas recentes apontam que a “Síndrome da Impostora” não se restringe a pessoas bem-sucedidas, nem apenas a mulheres (p. 74). Em face ao trecho (p. 82) desta Leitura, aponta que a síndrome caracterizada pelo sentimento de insuficiência e incapacidade quando se adota uma máscara para se achar capaz (p. 86) não se relaciona com o que os outros pensam sobre nós.
Para começar a lidar com o problema, inicialmente é preciso saber quem realmente somos (será possível saber?), ou seja, é necessário trilhar o caminho da busca pelo autoconhecimento para, quem sabe, oferecermos ao mundo nossa melhor versão (p. 82), e aqui penso lá nos idos de 1997 em que entrei naquele gabinete universitário com aquela muralha de livros. Eu estava munido dos meus dilemas existenciais, e então o psi diante de um espelho de corpo inteiro, pegou o meu indicador direito e o apontou ao meu peito, para em seguida pedir que eu repetisse:
– Quem sou eu? – e então, mergulhei em um silêncio constrangedor. Ele respondeu:
– Vai doer bastante caso você decida se livrar da ignorância e do preconceito sobre si mesmo – respondeu com aquele sorriso amigo.
Há um romance de Pirandello intitulado Uno, nessuno e cento milla, que apreciei durante a pandemia e se conecta com este tema. Em um momento oportuno farei o registro.
E ganhou a noite a conversa sobre o que Carl Jung escreveu sobre Freud [483] acerca do problema do conhecimento da própria psique envolver um objeto tão “repugnante”. Quem vai se sentir à vontade esmiuçando o passado?, indagado, assim como quem poderia ter prazer em sondar as próprias ambiguidades… Torna-se ainda mais dramático quando não conseguimos passar das crenças distorcidas sobre quem somos, de onde viemos, para onde vamos e o que representamos.
Quase me enveredei pela graduação em psicologia por causa daquela aula particular, mas segui para o seminário teológico, contudo, foi plantada uma semente que levou seis anos para germinar, um ano após ter perdido o meu pai.
Segue Rafa Brites a argumentar que é preciso se reconectar com a própria história, os próprios talentos, para resgatar o próprio valor (p. 83). Vejo aqui aquele meu eu de 1997 que se autodepreciava de forma sutil, apesar de ter superado o medo do futuro, depois do que fizera em dezembro daquele mesmo ano, do mal adiado 1996.
Ah o futuro… uma assombração que se agiganta quando ficamos estáticos em nossas certezas tão mal definidas sobre nós mesmos.
483. 14/10/2025 22h48
3 Replies to “07/11/2025 22h15 Síndrome da Impostora. Despindo-se do disfarce.”