Imagem: Sonopsys

Imagem: Janet Klosko (site)

“[…] acontece naturalmente durante o tratamento psicoterapêutico.”
Obra: Reinvente sua vida. 5. Como mudar os esquemas. Sinopsys, 2020, Novo Hamburgo. Tradução de Rafaelly Bottega Pazzin. De Jeffrey E. Young e Janet S. Klosko.
No trecho (p. 80), lembrei-me quando o psicoterapeuta me disse que poderia ser uma consequência natural do tratamento. Era setembro de 2000.
O local foi decidido na terapia. Decidi deixar o carro em um estacionamento na Conde da Boa Vista e dei uma caminhada pelo centro do Recife. Em um cenário para um flashback da minha adolescência e início da juventude, olhei para o Capibaribe, passei pela Princesa Isabel, avistei o Teatro e a Ponte que termina na entrada da Av. Rio Branco. Contornei a Rua do Sol, passei pela Guararapes, a pracinha do Diário, cheguei a Dantas Barreto e então decidi entrar na Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Fui acolhido pelo silêncio e pela Presença em uma experiência incomum para um jovem, à época, de confissão batista. De alguma forma me senti atraído pela Igreja. Um rapaz se apresentou como “leigo consagrado”, sentou ao meu lado e perguntou se eu precisava de ajuda. Respondi:
– Estou indo me encontrar com a minha mãe. Há quase três anos não nos falamos.
Olhou firme em meus olhos e sinalizou uma profunda compreensão sobre o significado do que lhe falei. Perguntou se podia rezar um Pai Nosso e uma Ave Maria comigo. Simplesmente respondi “sim”. Não me importava a religião naquele momento. Após alguns minutos de um quase absoluto silêncio, deixei a Igreja e fui ao prédio no Cais de Santa Rita. Disfarcei o emocional para a secretária que me acomodou em uma sala cheia de agasalhos da grife.
– Sua mãe está vindo – informou, e quase subitamente, surgiu com um olhar fixo e lacrimejante; nos abraçamos, descemos e conversamos. O jovem que tinha deixado a casa dos pais de forma abrupta, no 10 de dezembro de 1997, tinha ficado no passado, superado ressentimentos e complexos de erros comuns da juventude e de problemas igualmente típicos em relações entre pais e filhos. Foi uma questão de honra para mim, e de mútuo perdão.
Não passei por uma “terapia do esquema” entre 1997 e 2000, no sentido técnico do termo conforme este livro, mas havia alguns pontos comuns: no ambiente acadêmico, de uma psicoterapia inicial à etiologia da psicanálise e da regressão, e novamente à retomada para a psicoterapia onde passei por um processo similar de “experienciar a dor” (p. 69), por um entendimento mais racional das sensações, o que na terminologia de E. Young e S. Klosko se associa a “esquemas” relacionadas a problemas recentes, em eventos de 1996 que ocasionaram a síndrome do pânico identificada em 1997, até eventos da infância. Aprendi a refutar as sensações pelo uso do intelecto (p. 72). Outra semelhança se deu na constante prática da expressão dos sentimentos por escrito (p. 76), quando elaborei algumas “redações” um tanto longas, que às vezes pareciam mais resultado de leituras na biblioteca (à época quase mudei a graduação de economia para psicologia), para então passar por discussões com o psicoterapeuta, quando foi possível identificarmos padrões ao encaminhamento de técnicas, incluindo um trabalho de PNL.
Quando apreciei esta obra, e as técnicas mais elaboradas que são abordadas, ficou-me claro o quanto a psicoterapia evoluiu.
3 Replies to “26/01/2026 20h00 Reinvente sua vida. 5. Como mudar os esquemas.”