Imagem: Catapulta

“E se eu CONSEGUIR fazer isso?, ela perguntou a si mesma.”

Obra: Os “e se…”. Catapulta, 2023, Cotia. Tradução de Thainara da Silva Gabardo. De Emile Kilgore e Zoe Persico.

Mais um livro infantil (+5) que pode servir para muita gente grande…

Cora era uma menininha preocupada… Vivia cercada dos “e se…” da vida.

Seus pensamentos eram dominados por expectativas ruins do que iria fazer. Quando menino, pensava muito em coisas ruins que poderiam acontecer à semelhança de Cora.

Lembrei-me então de uma experiência quando recentemente passei a ouvir uma sequência de “e se…”.

“E se isso acontecer… e se aquilo acontecer…”. Todos os “e se…” que escutei estavam sob expectativa ruim, negativa. Nem se ponderava de que se tratava de algo baseado em mera especulação. Muitos raciocinavam como se as coisas ruins imaginadas fossem acontecer.

Também me chamou atenção que todos os “e se…” ruins foram emitidos não por uma criança, mas por quem tem quase 10 vezes mais tempo de vida que a menina Cora.

Pensei em quanto a ansiedade patológica não escolhe idade.

Então, no meio daquele velado pessimismo sobre o futuro, alinhei-me com um “e se…” em sentido de esperança:

“E se começar a melhorar?”, “e se começar a reagir bem”, “e se o tratamento der certo?”.

Logo em seguida, pelas reações, vi o quanto expectativas ruins costumam prevalecer. Fui contestado e até considerado um “otimista ingênuo”.

O tempo passou. Nenhum “e se…” trágico ou ruim especulado foi confirmado.

Os meus “e se…” acabaram ocorrendo, não porque tenho algum meio de prever o futuro. Não é possível prever. Não podemos saber o futuro de qualquer coisa. Um “e se…” ruim poderia ter acontecido, outros talvez… Mas, o que aconteceu? O que não podemos controlar nem prever inclui possibilidades de coisas boas ocorrerem. Então apenas cogitei um “e se…” positivo, pensei nele sabendo que um “e se…” negativo poderia também acontecer. Pensar com otimismo não vai garantir nada, mas vai nos proteger de um pensamento automático negativo, irracional, baseado em especulação. Por isso, e por fé, agarrei-me a um olhar de esperança, além de que considerei também algo que não tinha dados suficientes para se considerar tanto pessimismo.

Depois pensei em quantas incontáveis vezes fui pessimista e estava enganado. Parece mesmo que a mente humana tem maior atração por pensamentos negativos, especulações trágicas… Probabilisticamente, o tipo de raciocínio pessimista não tem sentido lógico ao considerar apenas de maior expectativa o negativo sobre o positivo.

Que tal aceitarmos o imponderável da vida podendo ser bom ou ruim?

Quando conferi este livro infantil, vi que a história da ansiosa menina Cora ensina como se cultiva no final o “e se…” de esperança, quando se aprende a considerar que coisas boas podem acontecer, movendo-se os pensamentos além da apreensão, do medo e do negativismo.

Finalmente pensei, há uma Cora em cada um de nós precisando ter voz para fazer essa descoberta.

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