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Stefanie Stahl

“As experiências de infância são tão definidoras porque são as primeiras experiências de aprendizado, enquanto o cérebro ainda está em desenvolvimento.”

Obra: Como fortalecer sua autoestima. Capítulo 2. Por que sou tão inseguro? As experiências de infância são realmente tão formativas? Sextante, 2024, Rio de Janeiro. Tradução de Thelma Lersch. De Stefanie Stahl (Alemanha/Hamburgo, 1963).

Dificuldade para aceitar que experiências de infância influenciam a vida adulta é uma característica de muitos clientes da psicóloga alemã (p. 69). Não envolver os pais nos problemas que precisam tratar, no sentido de culpá-los, é o que pode ocorrer em pacientes que estão dispostos a um enfrentamento honesto de seus problemas na psique mas, penso no contrário, quando se aproveita de eventos “traumáticos” dessa natureza, não raramente superdimensionados, para se eximir de responsabilidades, caindo em um “vitimismo” do tipo “sou assim porque aconteceu isso ou aquilo comigo na infância”.

O que Stefanie Stahl aponta no trecho (p. 69) desta Leitura, custei a aceitar porque enxergava apenas um lado do problema que consiste em vê-lo tão somente pelo determinismo, o que pode acontecer por comodismo, penso, mas a psicoterapia existe, entendo, para mostrar que as influências negativas da infância, que podem ser apuradas em uma boa psicanálise, não significam uma sentença de ficar com um determinado problema para o resto da vida. Essa visão de “trauma de infância” para mim é algo que tem a ver mais com o que se entende de si mesmo no presente, mas negar que fatos da infância moldaram certas formas de pensamento automatizado, é subestimar um campo do conhecimento que pode esconder um temor de saber melhor sobre si mesmo.

Vamos aos fatos que a psicóloga menciona em torno do que afirma sobre a primeira infância. Os neurônios-espelhos têm a função de prover a capacitação para a empatia. Colocar-se no lugar do outro é um exercício salutar nos relacionamentos, sobretudo em momentos de dificuldade de compreensão e conflito. Bebês com mãe menos empática formam menos neurônios-espelhos em comparação com os de crianças de mães empáticas e adultos com dificuldade de empatia carecem de uma compensação, que vem no uso da razão, para equilibrar essa deficiência (p. 69).

Às vezes se ignoram as fraquezas de pais causadores de uma infância com eventos problemáticos em seus filhos, no sentido que também tiveram relacionamentos problemáticos na criação (pp. 69-70). Outra questão relevante, suscitada pela autora de Acolhendo sua criança interior [569], diz respeito ao estilo de vida que molda o ambiente familiar (p. 70), o que pode ter aspectos positivos, quando se foi criado em uma família com histórico de boas influências, não necessariamente advinda dos pais, podendo ser de parentes próximos para dar o exemplo que ajuda na autoconfiança, mas também, a “autoestima biográfica” poderá ser trabalhada quando há carência disso, quando se é o pioneiro na família, e o exemplo dado, de que “é mais difícil tocar um instrumento quando ninguém na família tem talento musical” (p. 70), é bem ilustrativo, o que força a pessoas que desenvolvem algo positivo distinto do histórico familiar, a terem que viver mais situações de sucesso para acreditarem no próprio talento (p. 71).

Moral da história: conhecer melhor o que aconteceu na infância e o ambiente familiar em que fora criado não é por determinismo e sim para tomar ciência de fatores que pesam quando se pretende tratar das intercorrências da psique no aqui e agora.

569. 10/12/2023 12h47, 16/08/2025 13h53, 25/10/2024 22h50, 16/08/2025 13h53, 13/10/2025 23h04

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