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George W. Bush

“Por que eles nos odeiam?”

Obra: O Império Americano: Hegemonia ou Sobrevivência. Capítulo 8. Terrorismo e Justiça: Alguns truísmos uteis. Confrontando o terrorismo. Campus/Elsevier, 2004, Rio de janeiro. Tradução de Regina Lyra. De Avram Noam Chomsky (EUA/Pensilvânia/Filadélfia, 1928).

Para responder razoavelmente bem a esta questão, será preciso esquecer um pouco a carga de cinismo que a acompanha.

Pergunta “chorosa”, define um dos mais conhecidos críticos da política externa norte-americana. E acerca dos mais ferrenhos inimigos dos Estados Unidos no Oriente Médio; “eles não nos odeiam, odeiam as políticas do nosso governo, o que é bem diferente”, responde Chomsky (p. 216), no contexto do 11 de Setembro.

Chomsky lembra Kenneth Watz, que foi professor da Universidade de Columbia e um dos fundadores do realismo estrutural, que “não espanta” que os fracos e desgostosos “se insurjam contra os Estados Unidos como agente ou símbolo de seu sofrimento” (p. 211). Aqui penso, indagação é um tanto ingênua, para usar de eufemismo, quando se trata da maior potência bélica do planeta, com postura imperialista, que tem em Israel um estado-vassalo para execução seus planos de dominação no Oriente Médio sobre pobres e oprimidos, além de “elementos abastados e seculares” da região que também “odeiam e temem” (à época do atentado) bin Laden (p. 212). Também lembra o linguista que muito me influenciou na juventude, de que essa obviedade está nas deduções de estrategistas militares (p. 211).

Cita então o defensor da “postura imperial americana”, Michael Ignatieff, em relação a “deixar os palestinos enfrentarem os tanques e helicópteros de ataque israelense é uma garantia segura de manter o ódio islâmico contra os Estados Unidos” (p. 214). Outra citação que me chamou mais atenção é a do ex-chefe da inteligência militar israelense (991-1995), Uri Sage: “Os que têm esperança com uma sobrevivência mútua com os árabes precisam aceitar um mínimo de respeito pela sociedade árabe” (p. 215), e penso, coisa que falta aos partidários da Grande Israel.

Sobre o antiamericanismo, também entendo que é “elementar” distinguir os vulneráveis na pobreza dos terroristas (p. 212), como sugere Chomsky. Penso também enquanto essa pobreza extrema, bastante relacionada com a opressão americana em favor de Israel e de estados árabes controlados por autoritários, pode empurrar muitos para uma revolta que pode ser aproveitada em favor de movimentos terroristas para o alistamento.

A pergunta de Bush filho subestima a inteligência de seus seguidores, entendo. É de um cinismo incalculável que fica mais explícito em um ambiente controlado por um império de bárbaros que ficam disfarçados de cristãos, apoiados por muitos evangélicos com carência de mínimo discernimento; um império que apoia regimes corruptos e repressivos enquanto rotulado de baluarte da democracia para o mundo. No universo da geopolítica tem muita coisa tóxica, abjeta, indefensável, em todos os lados, mas os Estados Unidos estão no topo.

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