Imagem: About Dr. Hahn

Scott & Kimberly Hahn

“Mas onde a noção básica da tradição é condenada? Além disso, o que Paulo queria dizer quando exortou os tessalonicenses a preservar a tradição, tanto escrita, quanto oral?”

Obra: Todos os caminhos levam a Roma. Nossa jornada até o catolicismo. Capítulo 4. Ensinando e vivendo a aliança enquanto família. Cleófas, 2022, Campinas. Tradução de Rafael Nunes Godinho. De Scott Hahn (1957) e Kimberly Hahn (1957).

O diálogo sobre o sola verbum Dei, que deixou a missionária perplexa naquele maio de 2007 [571], foi seguido por uma visita curiosa de um diácono, na mesma biblioteca, no início de junho. Independente do que foi conversado e do assédio moral que recebi, eu estava me despedindo do lugar que marcou minha vida de leitor desde 2003.

Eu gostava de ficar mais nos “pulmões”, a biblioteca. Quando não havia aula, era o lugar onde peregrinava. Em paralelo, também peregrinava com padres e leigos, como desdobramento do hábito que desenvolvi de entrar em igrejas para descansar um pouco e meditar, no tempo que fora o mais corrido que vivi. O silêncio foi uma das coisas que me atraíam em igrejas católicas em torno do centro do Recife, além de um senso de sacralidade que tinha sinais externos, no altar, que se relacionavam profundamente com uma reverência natural que sentia nas pessoas que frequentavam.

Contudo, foi na biblioteca que amadureci uma fé que não tinha nada mais a ver, não somente com a doutrina batista, mas também com os pilares da Reforma Protestante. E foi lá que aconteceu a “visita”, que não foi marcada. Eu estava, como de costume, em uma sala reservada, e então o diácono entrou, fechou a porta e, sem pedir licença, de forma grotesca interrompeu meu exercício de leitura para forçar uma conversa que girou em torno de um “conselho de irmão” (aqui eu pensei na “caridade cristã” segundo o irmão Nietzsche, o preferido do pastor Abdoral). O conselho do contundente senhor dizia que eu deveria “tomar muito cuidado” com o que andava falando. Ele não imaginava que ali estava ocorrendo uma despedida, e também não fazia a menor ideia de que a liberdade que me fez entrar, era a mesma que sinalizou que eu deveria sair, muito diferente de quem vivia pela dissimulação e certamente o agradava.

Rompi o que parecia ser uma tentativa de monólogo, lembrando à figura que a única coisa que eu sentiria falta era da biblioteca, além de quatro professores e alguns colegas de classe, os quais tinham um verdadeiro espírito acadêmico, coisa que estava sendo vilipendiada naquela pequena sala. Aproveitei que foi usado o termo “tradição” pela brutta figura, em relação ao aparente orgulho que externou da sua igreja tão poderosa e influente, para lembrar a exortação de São Paulo aos tessalonicenses.

– É de uma ironia maravilhosa ouvir agora vossa senhoria falar em nome da “tradição”, pois foi exatamente a partir deste termo que minha fé mudou e me fez chegar até aqui.

571. 02/02/2026 20h00

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