Imagem: US Senate

“I HAVE WRITTEN this book to emphasize the fact that the freedom of the people of the United States is in serious danger from the foreign policy of the present Administration.”
Obra: A Foreign Policy for Americans. Foreword by the Author. The Country Life Press, 1951, Garden City. De Robert Alphonso Taft (EUA/Ohio/Cincinnati,, 1889-1953).
Até imagino que se considere atual o tema abordado pelo senador Robert Taft, caso não se tenha consciência da cultura de guerra que molda o histórico das relações externas dos Estados Unidos.
Chamar o que os governos norte-americanos fizeram e fazem de “política” significa ignorar que a guerra se dá quando a política não resolveu, na forma de diplomacia. Então, em 1951 o senador escreveu este pequeno e grandioso livro para enfatizar que “a liberdade do povo dos Estados Unidos está em sério perigo devido à política externa da atual Administração”. E neste “atual” se perpetua um espírito belicoso no que o senador aponta quanto ao “aumento constante da atividade, dos gastos e do poder do Governo Federal” (p. 5).
Como se estivesse se dirigindo aos norte-americanos do presente, o senador afirma que “a guerra não apenas produz lamentável sofrimento humano e destruição total de muitas coisas valiosas, pois é quase tão desastrosa para o vencedor quanto para o vencido. Pela nossa experiência nas últimas
duas guerras mundiais, ela na verdade promove ditaduras e governos totalitários em todo o mundo” (p. 12).
Não é preciso fazer muito esforço mental, penso, para entender a gravidade do momento nos Estados Unidos a revelar uma decadência moral escancarada; não há mais aquela sofisticada dissimulação no apoio externo ao que é reprovado nos valores domésticos. A belicosa administração Trump, tão devotada ao que Hitler desejou para a Alemanha na forma do Lebensraum, “Espaço Vital”, em sua brutalidade, não deixa margem para dúvida sobre intenções que deixam a frágil paz na berlinda.
Para um país em delicada situação social, super endividado, que vive da condição fiduciária de sua moeda no mundo, problemas desconhecidos apenas para quem acredita na riqueza ianque pela máquina de propaganda de seus filmes e séries, entendo que vale refletir sobre o que o senador afirma acerca da pauta doméstica: “não podemos adotar uma política externa que distribua todos os ganhos de nosso povo ou imponha um fardo tão tremendo ao americano individual” (p. 14). A máquina de guerra de Trump está a toque de caixa para o cidadão americano bancar, o mesmo que apoia o MAGA ou o que está fora desse movimento, mas também deseja uma política mais voltada aos problemas internos.
O senador Taft não crê que a guerra seja justificada pelo desejo natural de levar liberdade a outros em todo o mundo (p. 16), e imagino que hoje muitos norte-americanos pensam da mesma forma, mas, infelizmente, não é o que historicamente prevalece na mentalidade política que consolidou o poder no Ocidente promovendo conflitos pelo mundo.
Eis um livro para ser conhecido e meditado hoje, não apenas por estadunidenses, mas por todos os que apoiam, inadvertidamente, muitos no meio religioso cristão dito “conservador”, o que a atual administração da Casa Branca vem promovendo.
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