Imagem: Marxists Internet Archive

“In their just struggle, the Congolese people are not alone. All the Chinese people support you. All the People throughout the world who oppose imperialism support you. U.S. imperialism and the reactionaries of all countries are paper tigers.”
Obra: Selected Works of Mao Tse-Tung. Volume IX. AMERICAN IMPERIALISM IS CLOSELY
SURROUNDED BY THE PEOPLES OF THE WORLD. November 28, 1964. Varavara Rao, 1994, Hyderabad. De Mao Tsé-Tung (China/Shaoshan, 1893-1976).
Quem tem um sócio como os Estados Unidos, não precisa de inimigos. Talvez essa a paráfrase, pensei, seja bem aplicada aos pares da OTAN diante do imperador da Casa Branca, irritado pela falta de apoio a operação de proteção para o estreito de Ormuz.
Além de chamar seus sócios na OTAN de “covardes”, Trump aplicou à Aliança, que tanto orgulha os líderes europeus, a famosa expressão “tigre de papel”, usada por Mao Tsé-Tung em referimento ao imperialismo americano no tempo da Guerra Fria.
A expressão era usada com certa frequência pelo revolucionário da China. Neste livro de discursos, declarações e entrevistas, o ditador a utilizou pela primeira vez em uma declaração de apoio ao povo do Congo em 28/11/1964, quando não esqueceu dos “reacionários de todos os países” (p. 156). No ano seguinte a utilizou em entrevista ao jornalista americano Edgar Snow, atribuindo-a à bomba atômica ao falar sobre o que teria sido encontrado de vida animal e vegetação na Ilha Bikini, dois anos após os testes americanos com armas nucleares, sem questionar os efeitos devastadores dos dispositivos sobre o homem (p. 463).
Seis anos depois, Mao Tsé-Tung voltou a utilizá-la em uma declaração ao Peking Review, desta vez bem mais elaborada em relação aos revezes sofridos pelos Estados Unidos em algumas guerras promovidas pelo mundo:
“O imperialismo estadunidense, que se assemelha a um enorme monstro, é, na essência, um tigre de papel, agora em meio à agonia de sua luta mortal. No mundo de hoje, quem realmente teme quem? Não são os vietnamitas, os laosianos, os cambojanos, os palestinos, os árabes ou os povos de outros países que temem o imperialismo estadunidense; é o imperialismo estadunidense que teme os povos do mundo. Ele entra em pânico ao mero agitar das folhas ao vento” (p. 433).
A expressão era usada em alusão à resistência de governos à política de ingerência dos Estados Unidos em relação à soberania nacional. No entanto, sendo apenas retórica popular, o que o imperialismo americano demonstrou ao longo de décadas, após sua consolidação no desfecho da Segunda Guerra, foi um poderio imenso de provocar estragos na promoção de conflitos, sem necessariamente sair vencedor.
A OTAN seria um “tigre de papel” sem os Estados Unidos, como sugere Trump? Certamente. Retórica por retórica, Trump a utiliza deixando claro o que pensa sobre a divisão do mundo com os chineses e os russos, penso, onde os europeus ficam de fora.
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