Imagem: HEARTLAND

Murray Rothbard

“Hayek’s plan for the denationalization of money is Utopian in the worst sense: not because it is radical, but because it would not and could not work.”

Obra: A Genuine Gold Dollar vs. the Federal Reserve. Mises Institute, 2016, Auburn. De Murray Newton Rothbard (EUA/Nova Iorque/Nova Iorque, 1926-1995).

Quando mergulhei em obras da Escola Austríaca de Economia (EA), entre 2006 e 2015), conversei com alguns estudiosos que pareciam ver em Hayek uma espécie de profeta no “proto-Bitcoin”. Não entendi como algo procedente na radicalidade curiosa do economista da EA reconhecido e, muitas vezes, reverenciado no mainstream. Hayek imaginou uma ideia que não alcançou a abrangência e a pulverização de seu “plano”, mas, em um certo sentido, acertou pois a existência das criptomoedas atestam a realidade de ativos financeiros não governamentais.

A “desnacionalização do dinheiro” de Hayek considerava o fim de “leis de curso legal, vindo a permitir
que cada indivíduo e organização emitisse sua própria moeda, como bilhetes de papel com seus próprios nomes e marcas impressas” (p. 3). Tal “plano” (o termo aqui também é um tanto curioso nas terminologias da EA) foi visto por Rothbard, outro economista da EA, no caso, de uma ala radical, libertária, anarcocapitalista (o que torna a crítica ainda mais curiosa) como algo “utópico no pior sentido: não por ser radical, mas porque não funcionaria e não poderia funcionar” (pp. 5-6).

Para Rothbard, “novos papéis-moedas ainda assim não seriam aceitos ou funcionariam como dinheiro; o dólar (ou libra ou marco) continuaria reinando sem controle. Mesmo a remoção do privilégio de moeda corrente não funcionaria, pois os novos papéis não teriam surgido de mercadorias úteis no livre mercado, como o teorema da regressão demonstra que deveriam. E como a própria moeda do governo, o dólar e similares, continuariam reinando incontestados como dinheiro” (p. 6). O economista libertário pesa, penso, um efeito que considero psicológico nas pessoas em relação às moedas estatais quando cogita “amor” pelo dólar, pelo franco (p. 7).

Penso, por um lado, que Rothbard acertou em relação à criação de dinheiro não governamental, quando se associa o tema da liberdade de mercado na EA às criptomoedas que são usadas para “reserva de valor”, em um sentido ainda precário, tendo maior peso na especulação, enquanto não chegam perto das moedas estatais quanto ao aceite para transações de liquidez imediata, embora haja algum avanço nesse sentido nos últimos anos.

Dólar segue sendo a moeda fiduciária (até quando?), e os criptoativos ainda não saíram do estágio de ativos financeiros mais usados por oportunistas e curiosos, enquanto o ouro, este sim atrelado ao “radicalismo” de Rothbard, que parece um tanto conservador no lastro, também segue sendo um refúgio para os mais prudentes e conscientes da inflação que os governos provocam no “controle” de suas respectivas moedas.

Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *