Imagem: Artmed

Judith Beck

“Os clientes com frequência acham que não podem mudar a forma como se sentem emocionalmente.”

Obra: Terapia cognitivo-comportamental. 7. Programação das atividades. Artmed, 2022, Porto Alegre. Tradução de Sandra Maria Mallmann da Rosa. De Judith S. Beck (EUA, 1974).

Em uma conversa recente com minha esposa sobre a terapia cognitivo-comportamental (TCC), abordagem pela qual ela é especialista como psicoterapeuta, comentei que o psiquiatra Aaron Beck, pai da autora deste livro e fundador da TCC, deixou-me a impressão de ter sido impulsionado por dois gigantes antagônicos: Freud e Adler

Freud na investigação do passado do paciente, relacionado a eventos ligados a um automatismo de pensamento. Há um pouco de Adler na reinterpretação do agora, na identificação da automação de pensamentos na ideia de mudar a forma como emocionalmente se sente (p. 116), de maneira a implicar em um processo de reavaliação de crenças e redefinição de propósitos, o que se aproxima um pouco do conceito de “meta”.

Meu primeiro contato com a psicanálise não foi nada amistoso, para usar de eufemismo. Em 2008, quando retornei para algumas sessões e não tinha mais tantas reservas às ideias de Freud, estava mais consciente de que as primeiras experiências (1997-2000) foram para mim e o psicanalista, que também era psiquiatra, um trabalho empolgante e inusitado, entre provocações e pensamentos soando contraditórios, incluindo até um de trocar de área, à psicologia.

No primeiro ciclo de minhas sessões, a TCC no Brasil era pouco conhecida, mas ao ouvir ainda naquele tempo sobre a possibilidade de trabalharmos alguns conceitos de um psiquiatra e pesquisador americano inovador chamado Aaron Beck, fiquei mais empolgado porque era uma abordagem muito diferente que me soava menos distante de Adler. Ora, se eram mais interessantes os conceitos do maior dissidente de Freud, então por que não procurei logo uma abordagem adleriana? O contexto das sessões era de colaboração com pesquisa acadêmica e não um menu que eu podia escolher o profissional conforme a abordagem desejada, no entanto havia mútuo companheirismo e flexibilidade quanto aos meus questionamentos com o profissional, além de que neste ambiente, notei nas entrelinhas, normalmente se considera que a psicologia de Adler é exótica, radical, em outras palavras, heterodoxa demais.

De todo esse processo, quando minha esposa decidiu se graduar em psicologia, dez anos depois, e durante o curso não se interessou pela psicanálise e escolheu se especializar em TCC, ainda pensando com minha preferência por Adler, em meio a provocações que fazia, percebi que ela se identificou com a abordagem de Beck de maneira que se aprofundou para concluir uma pós, e então senti que, por ela, em um certo sentido, finalmente me realizei com a psicologia.

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