Imagem: Enciclopédia do Arkansas

“NÃO FOSSE A FORÇA sustentadora da religião da Dança dos Fantasmas, os sioux, em sua dor e ódio pelo assassinato de Touro Sentado, poderiam ter se levantado contra as armas dos soldados.”
Obra: Enterrem meu Coração na Curva do Rio. A dramática história dos índios norte-americanos. Capítulo 19. Wounded Knee. L&PM, 2025, São Paulo. Tradução de Geraldo Galvão Ferraz e Lola Xavier. De Dorris Alexander Brown (EUA/Lusiana, 1908-2002).
Retomo a história do genocídio dos nativos da América que forjou o “país da liberdade”, onde a guerra e o derramamento de sangue inocente compõe o seu DNA.
Em meio à matança, na Dança dos Fantasmas os sioux celebravam a crença de que “os brancos logo desapareceriam” e Touro Sentado, assim como os demais nativos da tribo que foram mortos, voltariam na próxima estação de grama verde, de maneira que assim os índios não encontravam motivação para represálias (p. 431).
Os hunkpapas ficaram sem líder e foram se refugiar em Pine Ridge com Nuvem Vermelha. Membros dessa tribo encontraram apoio com o líder Pé Grande, o que motivou o Departamento de Guerra a emitir ordem de captura (p. 432). Acometido de pneumonia, o líder Pé Grande acabou contido pela cavalaria que o conduziu de ambulância, junto com seus seguidores, ao acampamento no riacho Wounded Knee, onde ficaram sob vigilância “120 homens, 230 mulheres e crianças”, todos sob a mira de sentinelas e dois canhões Hotchkiss (p. 433). Com o reforço de mais dois canhões e regados a uísque, oficiais da cavalaria comemoravam a captura de Pé Grande.
Posteriormente, o “bando” seria levado a uma prisão militar em Omaha, depois de uma revista nas tendas para o desarme (p. 434). Durante o processo, Coiote Preto, que era surdo, reagiu quando tentaram tomar dele sua Winchester, e assim começou uma briga que virou “uma matança indiscriminada” (p. 435); homens, mulheres e crianças foram mortos. Na fuga, com o acionamento dos canhões que distribuíam granadas varrendo todo o acampamento (p. 435), a carnificina foi concretizada. Louise Pele de Doninha lembrou que “soldados índios não fariam isso com crianças brancas” (p. 436).
Contados 153 mortos, estimou-se que na verdade foram 350, seguidos pelos feridos que lentamente não resistiram aos ferimentos. O pouco que restou dos nativos acabou em carroções abertos ao frio extremo. Era dezembro, Natal. O que atenuou a situação foi a missão episcopal que espalhou palha pelo chão duro, cujo santuário acabou servindo de abrigo aos ensanguentados que ficaram diante de um púlpito onde estava escrito (p. 436) em “letras toscas”:
PAZ NA TERRA, BOA VONTADE ENTRE OS HOMENS.
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