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Papa Leone XIV

99. Non è possibile dare una definizione univoca e completa dell’IA. Ciò che possiamo affermare è che occorre evitare l’equivoco di equiparare questa “intelligenza” a quella umana. Questi sistemi imitano alcune funzioni dell’intelligenza umana. Nel farlo, spesso la superano per velocità e ampiezza di calcolo, offrendo benefici concreti in numerosi campi. E tuttavia, questa potenza resta legata esclusivamente al trattamento dei dati: le cosiddette intelligenze artificiali non vivono una esperienza, non possiedono un corpo, non attraversano la gioia e il dolore, non maturano nella relazione, non conoscono dall’interno ciò che significa amore, lavoro, amicizia, responsabilità.

Obra: Magnifica Humanitas. L’intelligenza artificiale. LETTERA ENCICLICA MAGNIFICA HUMANITAS DEL SANTO PADRE LEONE XIV. SULLA CUSTODIA DELLA PERSONA UMANA. NEL TEMPO DELL’INTELLIGENZA ARTIFICIALE. Vaticano, La Santa Sede, 2026. De Robert Francis Prevost (EUA/Illinois/Chicago, 1955), Papa Leone XIV (8,18.V.2025).

Trecho da encíclica Magnifica Humanitas publicada ontem pelo papa Leone XIV, no que versa sobre a “inteligência artificial” (IA) onde, entre diversos pontos, destaco uma questão que entendo ser fudnamental:

A IA permanece atrelada exclusivamente ao processamento de dados: as assim chamadas inteligências artificiais não vivem uma experiência (entendo, humanamente falando), não possuem um corpo, não sentem alegria e dor, não amadurecem em relacionamentos, não sabem essencialmente o que significam amor, trabalho, amizade e responsabilidade.

Lembrei-me então do filósofo Byung-Chul Han em O espírito da esperança: contra a sociedade do medo [582]:

“Sem sentimentos, emoções ou afetos, sem excitações, não há conhecimento. Eles inervam o pensamento. Esse é exatamente o motivo pelo qual a Inteligência Artificial não pode pensar.”

Penso no caso de quem busca aconselhamento ou terapia com IA, o quanto pode ser nocivo, para saúde mental, depositar expectativas de retorno em uma coisa que não tem humanidade, fria, sem consciência, que não pode ter a capacidade de pensar e sentir em termos humanos o que acontece no mundo real.

Lembrei-me também que na experiência de leitura do filósofo Byung-Chul Han, revisitei uma entrevista, de julho do ano passado, dada pelo neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis onde ele afirma acerca da IA: “não é nem inteligência, nem artificial”.

A sabedoria do papa Leone XIV sobre o tema me fez pensar também no que se ocupou matemático francês Cédric Villani ao compor uma comissão parlamentar na França que tratou do tema e apontou [583]:

“é necessário que se tenha maior transparência e abertura a auditoria em relação a sistemas autônomos para que sejam submetidos a investigação acerca de responsabilização, para isso serão demandados investimentos maciços. Será preciso atualizar normas para proteção de direitos e liberdades contra o potencial abuso envolvido no uso de aprendizado de máquinas e sistemas para garantir que as organizações que utilizarem IA permaneçam legalmente responsáveis ​​por quaisquer danos causados.”

Torno ao papa Leone XIV que considera não ser possível dar uma definição “inequívoca e completa” da IA, enquanto utilíssima pelo que oferece em termos de velocidade de abrangência de cálculo, contudo, esse tipo de “inteligência” não se equipara à humana, argumento que, penso, está amparado na neurociência. Leone XIV afirma que não tem a intenção na encíclica de “oferecer uma discussão abrangente sobre inteligência artificial, nem revisar uma vasta bibliografia”., além de que “qualquer afirmação sobre IA corre o risco de se tornar obsoleta em pouco tempo, dada a impressionante velocidade de desenvolvimento”, a considerar que, além do público usuário, até os que projetam, sabem pouco sobre como de fato funcionam as inteligências artificiais modernas que são “mais ‘cultivadas’ do que ‘construídas’, onde desenvolvedores “não projetam diretamente cada detalhe, mas criam uma arquitetura sobre a qual a IA ‘cresce'”.

Para finalizar, uma citação de uma conversa com um empresário onde escutei algo muito interessante para o meio profissional em que mais atuo:

– Descobri recentemente que meu contador, na prática, não é mais uma pessoa, um ser humano, e sim um emaranhado de inteligências artificiais usado por indivíduos com CRC que não sabem bem o que estão falando.

Seria um exagero? Não sei. Porém, algo me parece muito importante: O quanto parar de pensar no uso massivo de modelos de IA pode não apenar esvaziar o sentido intelectual no exercício de várias profissões, mas também prejudicar o cultivo de aspectos humanos, convertendo pessoas em coisas manipuladas por um punhado de poderosos da TI, algo que seria próximo ao que C.. S. Lewis alerta em The Abolition of Man.

582. 02/01/2026 07h00

583. 20/05/2024 00h01

584. 07/07/2024 19h32

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