Imagem: Jornal Opção

“O primeiro revolucionário europeu foi o papa. E o papa, como todos os revolucionários, teve boas razões para isso.”
Obra: Ensaios Reunidos. Volume I. 1942-1978. Origens e Fins. Terceira Parte: Origens e Fins. A revolução europeia. Topbooks/UniverCidade, 1999, Rio de Janeiro. De Otto Maria Carpeaux (Áustria/Viena, 1900-1978).
Carpeaux recorda a revolução protagonizada pelo papado, a primeira de abrangência geral sobre o que hoje se conhece por Ocidente.
Quais as razões papais?
Lá pelos idos de 900 começaria o mais sombrio tempo do Ocidente. Canibalismo na França, “o papado ficava nas mãos de meretrizes”, a cristandade sob obediência ao imperador Dante. Um período onde “os bárbaros dominavam” (p. 394).
O papa decidiu então arregimentar as repúblicas-cidades da península italiana, resume (p. 394) Carpeaux. Contudo, foi em Sutri que ocorreu o evento mais sensível no processo revolucionário, no ano de 1046, quando houve “a Convenção revolucionária da Igreja contra o Império”. O papa Gregório Vii redigiu “o documento mais violentamente revolucionário da história europeia”: Dictatus Papae, que criou o Direito canônico e “aboliu todos os axiomas jurídicos da ordem estabelecida” (p. 394). O código deste Direito seria redigido em 1142 e o seu efeito se deu de forma destacada na aplicação sobre os heresiarcas espiritualistas, julgados, condenadas à fogueira (p. 395).
Toda revolução transforma pelo totalitarismo (p. 392) e descamba à guerra, lembra o austro-brasileiro, e foi a Cruzada que consolidou esse efeito. Os europeus convergiram a uma agenda de combate dentro de uma visão de cooperação entre reinos que agora estavam livres do jugo imperialista. Essa aliança militar seria canalizada à Terra Santa para enaltecer a disputa contra os muçulmanos. Fora o mais contundente sinal de um tempo revolucionário pautado pela liderança da Igreja. Urbi et Orbi, eis Inocêncio III (p395) .
E a consequência desta revolução? Reis no lugar do imperador, referendando o desmembramento do império medieval em nações (p. 393), atingindo o próprio papado que se tornaria alvo, tomado pelo mais poderoso dos monarcas, o da França, mediante a imposição da sede de Roma a Avignon (p. 395).
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