Imagem: University of Exeter

“Como o trabalhismo era considerado ‘de esquerda’, ou o ‘partido da paz’ de Israel, eles não sofreram tanta pressão internacional.”
Obra: A Maior Prisão do Mundo. 8. A burocracia do mal. Do trabalhismo ao Likud. Elefante, 2025, São Paulo. Tradução de Alexandre Barbosa de Souza. De Ilan Pappé (Israel/Haifa, 1954).
Não me surpreende que as atrocidades da atual direita (alguns diriam, extrema) israelense com os palestinos tenham maior notoriedade na imprensa internacional em comparação com que os trabalhistas (Mapai) fizeram na primeira década entre a ocupação (expansão de Israel após a Guerra dos Seis Dias) e a Primeira Intifada (p. 243). Os trabalhistas, quando estiveram no poder, adotaram uma agenda de recusa da paz em favor da manutenção do que o autor deste livro chama de “a maior prisão do mundo” (p. 244), forjada em um modelo aberto, de confinamento, com a presença urbana e militar de Israel cercando os palestinos. Essa prisão a céu aberto entrou em colapso entre 1973 e 1977 (pp. 236-243), na análise de Pappé.
Corria uma política de colonização dos Territórios Ocupados enquanto diplomatas ocidentais se esforçavam por uma solução de paz entre as partes. “Era como se os israelenses estivessem zombando da história” (p. 245), na visão do historiador Ilan Pappé. Entre as políticas públicas de roubo de terras dos palestinos, estavam as práticas de “pilhagem fundiária” e “expropriação de fontes hídricas” sob o rótulo de “expansão agrícola”.
Nessa agenda, criou-se um “conselho superior de planejamento”, cuja maioria era composta por membros do regime militar israelense para garantir uma burocracia que garantisse o avanço do modelo de ocupação diante de esforços contrários movidos por agências e entidades. O impacto dessa política só ficou evidente quando o Likud assumiu o poder em 1977 (p. 246).
O caso Israel-Palestina ilustra quando se é ou se aparenta ser “de esquerda” e há maior tolerância com crimes de guerra, genocídios, ofensas, violações diversas, preconceitos, perseguições… É assim que funcionam predominantemente a política e a imprensa.
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