Imagem: Brown University

“É o sinal do cérebro para desacelerar.”
Obra: Desconstruindo o hábito da fome. Por que comemos quando não temos fome – e como parar. Capítulo 12. Dia 9: O platô do prazer. Platôs do prazer. Sextante, 2024, Rio de Janeiro. Tradução de Beatriz Medina. De Judson Brewer (1974).
Enquanto busco outros neurocientistas e psiquiatras, encontrei nesta obra do Ph. D. Brewer, mais subsídios para entender o que está acontecendo comigo em função da espontânea e radical mudança na alimentação, não planejada, ocorrida em paralelo às meditações e, especialmente, ao que venho experimentando com o mindfulness.
A obra é de utilidade pública e não trata especificamente sobre mindfulness [599], mas serviu-me como algo a ser mais estudado quanto a uma teoria que venho pensando (nem sei se há pesquisas), a partir da referência ao trabalho da pesquisadora e professora de psiquiatria e psicologia Dana Small, onde o doutor Brewer menciona, no contexto do trecho (p. 114) desta Leitura, um mapeamento relacionado com o que chama de “platô do prazer” quando o cérebro manda sinais de que se atingiu o cume ou o pico da necessidade alimentar. A expressão “o corpo diz”, usada por Brewer, à mon avis, é muito mais que retórica ou ilustração. É um fato que tenho constatado pela prática da “atenção plena” no “explorar o território” em relação ao significado de sondar o próprio corpo.
A experiência da doutora Small envolveu chocolate, um item que se tornou curioso para mim junto ao café. Há pouco mais de dois meses eu fui um consumidor contumaz desses alimentos, antes de descobri que ambos estavam em desarmonia com o que o meu corpo verdadeiramente sinalizava com as sondagens diárias via mindfulness, onde passei a sentir uma recusa natural a esses dois itens, junto com leite integral, alimentos processados e outros. Recentemente comentei com a minha esposa que, ao sentir um forte cheiro de carne vermelha assada vindo da cozinha (ela tem maravilhosos dotes culinários), senti uma repulsa na forma de uma leve “ânsia de vômito”. Em outra experiência recente, eu, minha esposa e minha caçula ganhamos dois potes, entregues em domicílio, do badalado sorvete Bacio di Latte, presente de minha irmã (cunhada). Naturalmente não consumi a minha parte e ela, com seu apurado senso de humor, compreendeu, enquanto a minha declinação alegrou mais a experiência gastronômica da minha caçula e da minha esposa. Em suma, percebo claramente que estou recusando certos alimentos de forma espontânea, os quais tinha prazer de consumir, substituindo-os por frutas, legumes e verduras.
Hipoteticamente, considero como se a minha mente estivesse tomando decisões em um modo mais intenso de conversa com o meu corpo em meio a trocas de sinais sobre o que devo evitar. Isso estou chamando de “modo anti-robô alimentar”. Em outras palavras, penso sobre o conceito de que a prática do mindfulness educa sobre o estar mais atento às trocas de informações entre a mente e o corpo, libertando-o do tal “piloto automático”, ajudando a entender de forma mais objetiva os excessos e o que devo recusar. Ressalvo que não estou aqui com conclusões, sendo apenas uma hipótese que em breve abordarei presencialmente com um profissional da área médica alimentar, contudo, o conceito budista, entendo, torna mais fácil compreender o que o neurocientista quer dizer com o corpo sendo sábio no uso de seus “sistemas naturais” (p. 115) para nos ajudar a parar, e isso acontece na emissão de sinais de que se atingiu o necessário durante o ato de alimentar-se (eis o “platô do prazer”). Ignorar esses sinais do cérebro acarretará em problemas e, quanto a isso, curiosíssima a interpretação citada pelo doutor Brewer acerca do aumento no fluxo de sangue no córtex orbito frontal conforme diminuía o valor da recompensa na pesquisa de consumo de chocolate da doutora Small, como se o sistema natural do corpo dissesse que algo bom pode ser excessivo (p. 113). Outro fenômeno muito interessante, pensei, está no desdobramento quando tais sinais de alerta são desprezados e ocorre o disparo do córtex cingulado posterior, que é o eixo de uma matriz neural chamada rede de modo padrão. Esse modo é ativado quando se está exposto a gatilhos relacionados a vícios, tais como os de bebidas alcoólicas, outras drogas, jogo, etc (p. 114).
Outro ponto curioso tem ocorrido em minhas experiências com o meu corpo quando estou sob algum estresse, principalmente no trabalho, e percebo certas pulsações e impulsos os quais não sentia antes de adotar a meditação e a atenção plena. E então respiro, faço a diafragmática, espero meu corpo responder com um sinal de alívio, reequilibrando-se, para seguir no trabalho, algo que abordarei em outra experiência de leitura em breve.
599. Embora entre as páginas 98 e 104 aborde os benefícios da prática budista da “atenção plena”. E das páginas 105 a 111, destaco as práticas de mergulho no corpo que utilizo. O livro está permeado de conceitos que remetem o leitor á importância de ficar atento aos sinais que o corto emite sobre a relação com o ato de se alimentar.
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