Imagem: Mises Brasil

“Psychology, in turning to the individual, found the right starting point. However, its path necessarily leads in another direction than that of the science of human action. The subject matter of the latter is action and what follows from action, whereas the subject matter of psychology is the psychic events that result in action.
Economics begins at the point at which psychology leaves off.”
Obra: Epistemological Problems of Economics. 1. The task ans scope of the science of human action. I. THE NATURE AND DEVELOPMENT OF THE SOCIAL SCIENCES. 1. Origin in the Historical and Normative Sciences. by Ludwig von Mises Institute, 2003. Translated byGeorge Reisman. De Ludwig Heinrich Edler von Mises (Áustria-Hungria/Leópolis, 1881-1973).
A relação entre psicologia e economia é uma questão muito interessante, penso. O fundador da Escola Austríaca (EA) de Economia aborda a questão se limitando a destacar o que entende sobre a aplicação da psicologia sob diferenças de objeto: “A psicologia, ao voltar-se para o indivíduo, encontrou o ponto de partida correto. Contudo, seu caminho necessariamente a conduz para uma direção diversa daquela da ciência da ação humana.
O objeto de estudo da economia, para Mises, “é a ação e suas consequências”, enquanto o objeto de estudo da psicologia são os eventos psíquicos que resultam na ação” (p. 3). Em suma, a psicologia se propõe ao estudo do comportamento e pode determinar como agentes humanos se conduziram em certas situações no passado, enquanto a economia versa acerca de consequências das tomadas decisórias no âmbito de recursos escassos.
Havendo intuito de derivar leis da ação humana a partir da experiência, argumenta Mises, será preciso demonstrar como determinadas situações influenciam a ação quantitativa e qualitativa do ser humano, sendo a psicologia, em geral, envidado para fornecer tal demonstração e, por essa razão, segue, “todos aqueles que atribuem essa tarefa à sociologia e à economia tendem a recomendar-lhes o método psicológico”, contudo, o que se entende por “método psicológico” pode ter um sentido “bastante inadequado e até enganoso”, adverte (p. 11).
A racionalidade de Mises é cética em relação ao que a psicologia pode contribuir em estudos econômicos. Vê como “mal-entendido” quando se recorre à psicologia, pois, argumenta, “constrói-se o conceito de desejo e, em seguida, busca-se a ponte entre o desejo, a manifestação de um sentimento de inquietação e a decisão concreta na ação” (p. 86). Em Mises, o que parece não fazer sentido na associação da psicologia coma economia é o ponto de vista da psicologia, onde a fronteira entre comportamento significativo e reativo é indeterminada (p. 89), entende.
De forma bem direta e sem abertura ao que o estudo do comportamento pode influir na economia, Mises separa a racionalidade da ação humana, da análise da psique e do comportamento e considera que há uma demarcação bem clara entre o que compete à economia e à psicologia, onde a primeira começa no ponto em que a segunda termina (p. 3).
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