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“Direcionar a vida a um caminho de autossatisfação é muito perigoso, e nos leva a viver de forma vazia, buscando prazeres momentâneos e acabando por nos desvirtuar dos planos de Deus.”
Obra: Café com Deus Pai. Porções diárias de transformação. Edição 2025. 30 | JAN. O propósito da vida. Velos, 2024, Itajaí. De Junior Rostirola.
“Diversos filósofos ao longo da história refletiram sobre o sentido da vida, afirma o pastor, ao ter como referência Filipenses 3.14 para a reflexão do dia.
Um tema filosófico onde vejo a fé religiosa sendo uma forma de tratar a questão. Para uns, suficiente, para outros, nem tanto, enquanto há quem a descarte. Dentro do problema do “sentido da vida”, então Rostirola indica que “essa resposta não está dentro de nós”, pois “somos criados por um Deus perfeito, que delimitou um propósito para cada um de nós e nos adotou como seus filhos”; uma abordagem religiosa a qual escutei ao longo de minha vida evangélica devocional.
Vi sistemas religiosos serem o bastante para muitos. Compreendo, respeito, mas este caminho não preencheu um vazio dentro de mim que, segundo Santo Agostinho, somente Deus pode ocupá-lo. E Deus não é religião. Em outras palavras, a religião é tão-somente uma forma de se encontrar um sentido para a vida em uma conotação espiritual que se situa abaixo da filosofia e da crença em Deus.
Depois meditei sobre o que ocasiona na falta de sentido para a vida. Entendi que viver sem fé é uma resposta, quando se cai em um vazio existencial que paralisa o espírito e a vontade para a experiência do viver. Não me refiro ao termo “fé” aqui de viés apenas religioso, em uma reconhecida crença em Deus, e sim de forma ampla, incluindo a “fé” entre ateus. Penso em “fé” na vida, “fé” em ideais, “fé” no bem, “fé” na caridade, “fé” na justiça, medito em “fé” como parte de uma genuíno exercício de amor ao próximo, em suma, reflito sobre “fé” em termos teleológicos, quando ideias, valores, princípios norteadores da vida, orientam a pensamentos que podem se traduzir em propósitos eventualmente convertidos em ações, algo que pode ser vivenciado com ou sem a presença da crença religiosa em Deus.
Perder o sentido da vida significa então para mim a perda dessa “fé” ampla no viver; na falta de sinais norteadores que não são necessariamente de natureza religiosa. Quando não se acredita mais na própria vida, e no respeito ao outro, no amor que se pode dar e receber, na justiça a ser defendida, na prática altruísta do bem, na razão de ser, no propósito de existir; eis a pior forma de “falta de fé”, de descrença total que leva a morte do espírito antes da morte física.
Volto-me agora ao que Rostirola apontar sobre “focar exclusivamente no ‘eu’ é um grande problema”, quando um pouco adiante completa:
“A vida de pessoas inspiradoras sempre está associada a quanto amaram, serviram, se entregaram, foram generosos, cumprindo seu propósito, não só a quantos bens acumularam. “
Meditei então nesta experiência de leitura sobre o quanto um ateu pode ter mais “fé” que uma pessoa com uma vida religiosa considerada de “fé” exemplar. Isso posto, um descrente em Deus pode lidar com seus princípios de amor e bondade com maior fidelidade, pode ser alguém mais digno e honesto em relação ao que acontece com um crente religioso, pelo que pude constatar em diversos casos de ateus confessos com exemplos de vida mais inspiradores, quando os comparei com pessoas religiosas, até mesmo de alto prestígio em posição de liderança, contrastando também com pessoas religiosas com uma vida inspiradora quanto se pensa em amor ao próximo.
Sou paradoxalmente um crente em Deus orientado muitas vezes pelo exercício da dúvida. Reconheço que encontrar o sentido da vida é algo muito além da fé religiosa e da minha vã filosofia. Talvez ateus que me inspiram mais do que crentes religiosos sejam um tipo de crente muito próximo dos crentes católicos, protestantes e ortodoxos orientados pelo amor de Cristo, dos que observam a sabedoria budista, pela caridade espírita, por toda fé religiosa – ou não – no Sumo Bem, cujo sentido torna insuficiente o instrumental que disponho em um uso adequado da razão. Imagino que possa ser uma questão além dos limites da razão humana.
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