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“[…] Conheço estelionatários patrióticos, defensores de uma moralidade ao avesso: […]”
Obra: Pornopolítica. Paixões e taras na vida brasileira. Uma primavera de ladrões. Objetiva, 2006, Rio de Janeiro. De Arnaldo Jabor (Brasil/Rio de Janeiro, 1940-2022).
Paulo Francis foi o colunista da Globo nos anos 1980 até meados dos anos 1990 que marcou minha adolescência e início de juventude. Era de esquerda, de linha trotskista e então se tornou liberal. Acostumado com o estilo sofisticado de Paulo Francis, quando ouvi Jabor pela primeira vez (1995) fiquei perplexo, impressionado com a forma contundente, passional e provocante. Nesses dias revisitei sua obra Pornopolítica, imaginando como o cronista reagiria aos escândalos da atualidade.
Em Uma primavera de ladrões, Jabor define tipos que caracterizam a realidade brasileira. No trecho (p. 141), os “patrióticos”, penso, tão bem-quistos em um populismo que sempre retorna de tempos em tempos apelando a uma moralidade que não resiste a uma saída da superficialidade que acolhe os mais ingênuos com a política.
Afirma o comentarista que “a maioria rouba por prazer e vingança” (p. 139), o que me parece bem evidente na tal conversa em favor das “vítimas da sociedade”. Com uma linguagem um tanto pesada para os mais comedidos, Jabor vai desfilando suas observações breves sobre os que “roubam por tesão”, os que afanam com “perspectiva histórica”, os meliantes “filosóficos”, os “Ali Babás com sentimento crítico” (p. 140), os que “amam o povo” e ficam “sempre limpinhos”, os “ideológicos” que atuam na esquerda pela expropriação da burguesia (p. 141), os “chantagistas intelectuais” que apregoam o roubo como “cultura”, os “masoquistas” que sentem prazer quando reconhecidos como tais, os `sádicos” que se deleitam diante de quem subornou (p. 142), entre outros.
Por que há tanto ladrão no Brasil? Não sei, e também penso que o Brasil pode ter muito mais uma fama injusta do que algo que me pareça concreto. Na política brasileira os escândalos frequentes, que facilmente alcançam cifras bilionárias, fazem-me pensar que a alta concentração de recursos em relação ao PIB, controlados por políticos e burocratas estatais, e isso se torna exponencial no meio privado que se associa a estatal a formar um indicador sobre um problema que só não acontece na intensidade que se reclama no Brasil, nos países considerados mais “civilizados”, porque os políticos e os empresários “amigos do rei” de lá não têm as oportunidades dos que operam por aqui.
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